Kiev prepara-se para invasão, Zelensky fala em abordagem “diferente” da Rússia

Ucrânia

12 de mar. de 2022, 22:54 — Lusa /AO Online

A Rússia, disse Volodymyr Zelensky, deixou de "fazer só ultimatos", mas ficou sem se saber qual a importância e alcance destas declarações.Questionado sobre as afirmações de sexta-feira de Vladimir Putin, que falou em "avanços" nas conversações russo-ucranianas, Zelensky disse estar "contente por ter um sinal da Rússia", mas não deu mais explicações, ao falar numa conferência de imprensa em Kiev.Hoje foi o 17.º dia de guerra e o dia foi de contrastes, entre as bombas de manhã e os sinais diplomáticos de Zelensky, à tarde.Kiev amanheceu, na descrição dos repórteres da agência Associated Press, ao som de rebentamentos nos arredores. Duas colunas de fumo erguiam-se a sul da capital – uma branca e outra negra – enquanto em cidades como Mariupol, cercada pelas forças russas e sem abastecimento de alimentos e medicamentos, as notícias eram de também de destruição e ataques aéreos contra uma mesquita onde estavam 80 pessoas.As tentativas de levar alimentos e retirar civis de Mariupol foram, até agora, um fracasso – as forças da Ucrânia e da Rússia acusam-se mutuamente de violarem os sucessivos cessar-fogos – mas as autoridades ucranianas tentaram hoje, novamente, abrir corredores humanitários.Mariupol, uma cidade com cerca de 500 mil habitantes no sudeste da Ucrânia nas margens do mar interior de Azov, é um importante centro industrial do país, e o presidente da câmara estima que, em 12 dias, tenham morrido 1.500 pessoas.Um dos alvos dos militares russos durante a madrugada, com ataques aéreos do exército, foi um terminal de petróleo, que se incendiou, na cidade de Vasilkiv, na região de Kiev.No terreno, a coluna militar russa, que há uma semana chegou a ter 60 quilómetros e, segundo fontes ucranianas, se dispersou por várias regiões, está agora a cerca de 25 quilómetros da capital, segundo uma informação do Ministério da Defesa do Reino Unido.Com os bombardeamentos russos a chegar aos arredores da capital, o presidente da câmara de Kiev anunciou que a cidade está a armazenar medicamentos, produtos e bens de primeira necessidade, antevendo uma possível invasão por parte das tropas russas.Logo pela manhã, as autoridades ucranianas acusaram a Rússia de terem atingido um hospital que presta cuidados oncológicos e vários edifícios residenciais na cidade de Mykolaiv, no sul do país, com bombardeamentos de artilharia pesada, um ataque que, segundo as informações iniciais, não fez vítimas.Na “guerra” de números, o presidente da Ucrânia disse hoje que cerca de 1.300 militares ucranianos foram mortos desde o início da ofensiva militar de Moscovo e que a parte russa teve “perdas colossais” - 12.000 soldados.A 02 de março, o exército russo tinha indicado que perdera cerca de 500 militares, um balanço que não foi atualizado desde então.Na frente diplomática, o presidente de França, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, conversaram hoje novamente com o líder russo, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia, um dia após a cimeira europeia em Versalhes, informou o Palácio do Eliseu.Num vídeo divulgado pela presidência ucraniana, Zelensky pediu hoje aos líderes franceses e alemães que ajudem a libertar o autarca da cidade ucraniana de Melitopol, que, segundo Kiev, foi sequestrado na sexta-feira pelos russos.Os três líderes já tinham conversado por telefone na quinta-feira, altura em que França e Alemanha "exigiram um cessar-fogo imediato da Rússia".No Vaticano, o papa Francisco fez hoje um novo apelo para acabar com a invasão russa da Ucrânia e a guerra, denunciando as duras repercussões nas crianças. E pediu: "Em nome de Deus, parem!"A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 564 mortos e mais de 982 feridos entre a população civil e provocou a fuga de cerca de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.