Juventude da Câmara de Comércio de Angra defende novo modelo de acessibilidades nos Açores
Hoje 17:38
— Lusa/AO Online
“Na perspetiva
da comissão da juventude, o futuro do turismo açoriano dependerá da
capacidade da região construir um sistema de acessibilidade aérea mais
diversificado, resiliente e territorialmente equilibrado, reduzindo a
dependência de um único ‘hub’ e reforçando a capacidade de resposta da
rede de transportes perante situações de disrupção”, lê-se num
comunicado enviado pela associação, que representa os empresários das
ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa.A
comissão, liderada pelo médico João Pedro Alves, enviou um parecer com o
título "O Futuro do Turismo nos Açores: Acessibilidade Aérea,
Resiliência Operacional e Coesão Territorial" ao presidente do Governo
Regional dos Açores, ao vice-presidente e à secretária regional do
Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, com o objetivo de “contribuir
para o debate público sobre o futuro do turismo açoriano”.No
documento, são analisados os principais desafios que se colocam ao
desenvolvimento sustentável do turismo na região e apresentadas
recomendações para reforçar a competitividade do destino Açores.Segundo
a comissão, o turismo é um dos “principais motores da economia
regional”, mas os “resultados históricos” de 2025, com 4,5 milhões de
dormidas e mais de 206 milhões de euros em proveitos na hotelaria, “não
devem ocultar fragilidades estruturais que se tornaram evidentes durante
o primeiro semestre de 2026”.Há oito
meses consecutivos que o número de dormidas em alojamentos turísticos
nos Açores apresenta quebras face ao período homólogo.A
comissão da juventude da CCIAH identificou como problemas “a elevada
concentração da acessibilidade aérea na ilha de São Miguel, a forte
dependência de um número reduzido de operadores internacionais, a saída
da Ryanair do mercado açoriano” e “as perturbações verificadas na
operação aérea interilhas”.Alertou ainda
para “os riscos que estas circunstâncias representam para a coesão
territorial e para a concretização dos objetivos definidos no Plano
Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores (PEMTA 2030)”.Para
os jovens, “o crescimento registado pelo turismo nos últimos anos deve
ser acompanhado por uma estratégia que privilegie não apenas o aumento
da procura, mas também a robustez do sistema que suporta esse
crescimento”.“A diversificação da
conectividade aérea, o reforço da resiliência operacional da SATA, a
distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos entre as ilhas e o
fortalecimento do papel da Terceira enquanto polo de articulação da rede
aérea regional constituem prioridades estratégicas”, defenderam.A
comissão da juventude da CCIAH considerou positiva a criação do Fundo
de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores (FDRAA), alegando que pode
“desempenhar um papel importante na captação de novos operadores e
novas ligações, desde que seja rapidamente operacionalizado e respeite
plenamente o enquadramento europeu em matéria de auxílios de Estado”.Recomendou,
por isso, no parecer, o acompanhamento da implementação do fundo, mas
também “o desenvolvimento de uma estratégia de diversificação da
conectividade aérea” e “a concretização do reforço do ‘hub’ da Terceira,
previsto no PEMTA 2030”.Entre as
recomendações estão ainda a “elaboração de um plano de reforço da
resiliência da operação interilhas, a monitorização pública do
cumprimento das metas do PEMTA e o reforço das políticas de qualificação
e retenção de jovens no setor do turismo”.“Assegurar
um sistema de transportes aéreos mais robusto e uma distribuição mais
equilibrada das oportunidades de desenvolvimento entre as nove ilhas
representa uma condição essencial para consolidar a competitividade do
destino Açores, promover a coesão territorial e garantir que o
crescimento do turismo continua a traduzir-se em benefícios duradouros
para a economia regional e para as novas gerações”, sublinhou a
comissão.