Justiça de Paris pede a vítimas de Epstein que se apresentem em investigações
Hoje 18:04
— Lusa/AO Online
A procuradora
de Paris Laure Beccuau afirmou à estação de Rádio Franceinfo que a
divulgação de documentos ligados a Jeffrey Epstein, que morreu na prisão
em 2019, “vai necessariamente reacender o trauma de algumas vítimas”,
incluindo pessoas ainda não identificadas pelas autoridades.A
magistrada assegurou que a Procuradoria vai receber todas as
declarações, sob a forma de queixas ou depoimentos, lembrando ter
jurisdição quando os auores ou as vítimas são franceses, mesmo que os
factos tenham ocorrido no estrangeiro.No
sábado, o Ministério Público anunciou a nomeação de cinco magistrados
para analisar milhões de documentos e explorar fontes abertas, incluindo
artigos de imprensa, com o objetivo de cruzar dados relativos a
eventuais crimes de natureza sexual ou financeira ligados a cidadãos
franceses.A Procuradoria indicou
igualmente estar a proceder a uma reanálise completa do processo do
antigo agente de modelos Jean-Luc Brunel, que morreu sob custódia em
2022, depois de a acusação ter sido arquivada em julho de 2023 na
sequência da morte.Os magistrados examinam
ainda um relatório apresentado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros
francês, Jean-Noel Barrot, sobre alegadas ações atribuídas ao diplomata
Fabrice Aidan, que trocou dezenas de mensagens eletrónicas com Epstein,
ao recrutador de modelos Daniel Siad, alvo de uma denúncia de violação, e
ao maestro Frédéric Chaslin, visado por uma queixa por assédio sexual.O
Ministério Público avançou também estar a trabalhar em coordenação com a
Procuradoria Nacional das Finanças, que abriu no início de fevereiro
uma investigação preliminar por suspeitas de fraude fiscal agravada e
branqueamento de capitais contra o antigo ministro da Cultura e
ex-presidente do Instituto do Mundo Árabe Jack Lang, e a filha, Caroline
Lang, ambos citados nos chamados “Arquivos Epstein”.No
Reino Unido, a Polícia de Surrey lançou um apelo a testemunhas sobre
alegações de tráfico humano e abuso sexual de uma menor entre 1994 e
1996 na localidade de Virginia Water, referidas num relatório da polícia
federal dos Estados Unidos (FBI) divulgado em dezembro.Segundo
as autoridades britânicas, não foram encontrados registos prévios
destas acusações nos seus ficheiros, tendo sido solicitada a colaboração
de qualquer pessoa com informações relevantes.Os
meios de comunicação britânicos indicaram que o relatório menciona o
ex-príncipe André e Ghislaine Maxwell, companheira e cúmplice de
Epstein, no contexto de alegações feitas por uma testemunha anónima, as
quais não foram detalhadas pela polícia.O
caso Epstein, cuja documentação começou a ser tornada pública pelo
Departamento de Justiça norte-americano em dezembro, continua a ter
repercussões internacionais, levando diversas forças policiais
britânicas a analisar novas denúncias relacionadas com alegados factos
ocorridos no Reino Unido.