Juncker recorda a Johnson que cabe ao Reino Unido apresentar propostas
16 de set. de 2019, 13:14
— Lusa/AO Online
“O presidente [Jean-Claude] Juncker lembrou
que é da responsabilidade do Reino Unido apresentar soluções legalmente
operacionais que sejam compatíveis com o Acordo de Saída. O presidente
Juncker sublinhou a permanente disponibilidade e abertura da Comissão
para examinar se essas propostas correspondem aos objetivos do
‘backstop’”, pode ler-se num curto comunicado divulgado pelo executivo
comunitário após a conclusão do almoço de trabalho entre os dois líderes
no Luxemburgo.A nota recorda que “tais
propostas ainda não foram realizadas” e vinca que a Comissão Europeia
está disponível a trabalhar “24 horas por dia” para desbloquear o
impasse registado no processo de saída do Reino Unido da União Europeia
(UE).“O Conselho Europeu de outubro será
um marco importante no processo. Os 27 mantêm-se unidos”, conclui o
comunicado divulgado após aquele que foi o primeiro encontro entre
Jean-Claude Juncker e Boris Johnson desde que o britânico assumiu a
liderança do Governo daquele país em julho.Bruxelas
tem-se mostrado aberta a debater qualquer proposta apresentada por
Londres, desde que esta respeite as diretrizes negociadores da União
Europeia e seja “legal e viável”, incluindo eventuais novas soluções
para o mecanismo de salvaguarda, comummente conhecido por ‘backstop’,
desenhado para evitar o regresso de uma fronteira física na ilha da
Irlanda.Na quinta-feira, o
negociador-chefe da UE, Michel Barnier, que também participou no almoço
de trabalho de hoje, já tinha reconhecido que, até ao momento, o Reino
Unido não tinha apresentado qualquer nova proposta para desbloquear o
impasse registado a pouco mais de um mês da data do ‘Brexit’, agendado
para 31 de outubro.O primeiro-ministro
britânico, Boris Johnson, tem-se manifestado convicto de que é possível
conseguir alterações ao Acordo de Saída firmado em novembro por Bruxelas
e a sua antecessora, Theresa May, nomeadamente substituir o 'backstop',
e obter um acordo até ao Conselho Europeu de 17 e 18 de outubro.“Se
forem registados progressos suficientes nos próximos dias, tenho a
intenção de participar na cimeira decisiva de 17 de outubro e de
finalizar um acordo que proteja os interesses das empresas e dos
cidadãos dos dois lados da Mancha e os dois lados da fronteira
irlandesa”, escreveu numa coluna de opinião publicada no domingo no
Daily Telegraph.Se não conseguir um acordo
até 19 de outubro, nem conseguir autorização do parlamento para uma
saída sem acordo, terá de cumprir a lei promulgada na segunda-feira que
obriga o governo a pedir um adiamento da saída por três meses, até 31 de
janeiro. Os restantes 27 Estados membros da UE têm depois de concordar unanimemente com uma extensão do processo.