Juncker assume como maior erro político do mandato ter dado ouvidos a Cameron
7 de mai. de 2019, 12:20
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa na sede do executivo comunitário, para
apresentar o contributo da Comissão para a cimeira informal de líderes
da União Europeia em Sibiu da próxima quinta-feira, mas que também
serviu para fazer um balanço do seu mandato, que termina dentro de
sensivelmente seis meses (31 de outubro), Juncker, questionado sobre os
erros que mais lamenta à frente da Comissão, assumiu dois, “um pessoal e
um político”.Ao nível político, apontou, o
erro foi “dar ouvidos ao Governo britânico”, e em concreto a Cameron,
quando este lhe pediu para o executivo comunitário não interferir na
campanha para o referendo sobre a permanência ou saída do Reino Unido da
União Europeia, em 2016, que acabaria por ditar o ‘Brexit’, agora
curiosamente com data marcada precisamente para o último dia de mandato
da “Comissão Juncker”, 31 de outubro de 2019.“O
então primeiro-ministro pediu-me para não interferir na campanha do
referendo. Foi um erro não intervir e não interferir, porque nós
teríamos sido os únicos a destruir as mentiras que foram postas a
circular. Errei ao ficar em silêncio num momento importante”, assumiu.Na
consulta popular de 23 de junho de 2016, a saída do Reino Unido da UE
venceu com 51,9% dos votos, contra 48,1% da permanência, e ainda hoje a
UE está a lidar com o processo para a saída dos britânicos do bloco
europeu, inicialmente prevista para 29 de março passado, mas que já foi
prolongada por duas vezes dada a impossibilidade do Governo britânico em
fazer o Acordo de Saída ser aprovado pela Câmara dos Comuns.O
outro erro hoje assumido por Juncker foi de índole pessoal: a demora em
reagir às revelações conhecidas como “Luxleaks”, em novembro de 2014,
sobre escândalos financeiros, com destaque para esquemas de evasão
fiscal no Grão Ducado do Luxemburgo, do qual foi primeiro-ministro entre
1995 e 2013.“Quando estava a começar o
meu mandato (01 de novembro de 2014) surgiu o caso ‘Luxleaks’, e eu
demorei uma semana, demasiado tempo, a responder a isso. Deveria ter
respondido imediatamente, foi um grande erro demorar tanto tempo a
responder”, reconheceu.Já quanto ao maior
feito da “sua” Comissão, apontou sem hesitação que foi “manter a Grécia
na zona euro”, apesar de todas as críticas que lhe foram dirigidas na
altura.