Juliette Binoche em "repouso" e "sem projectos à vista"

Cinema Estoril

7 de nov. de 2009, 09:25 — Lusa/AO Online

Distinguida com um César e um Óscar, Binoche é a convidada especial do Estoril Film Festival, que decorre até dia 14, e que em sua homenagem exibe 14 filmes, um deles um documentário sobre a actriz, além da uma exposição de pintura de sua autoria. "Estou a ler e-mails, as cartas, a abrir pacotes, a ver os papéis, e a aproveitar para estar com os meus filhos", disse. A actriz, que afirmou ser "uma luta" conciliar a vida de mãe com a de artista, recusa-se a ter uma "vida quotidiana como os burocratas". Não faz nada "de forma regular", assegurou. "Deito-me às cinco da manhã e trabalho até às cinco da tarde, tenho um tempo muito diferente dos burocratas, mas é difícil para quem tem crianças e as tem de levar à escola", disse. "A vida de artista é contrária a este tipo de vida quotidiana, mas há que procurar um equilíbrio entre a vida artística e a de mãe", rematou. "Tenho muitas coisas na minha vida e não posso ser regular, só o sou com as crianças e é uma luta conseguir isso", disse. Portugal, para a actriz, "não é um país distante para lá de Espanha", mas diz não conhecer "muito bem" a cinematografia nacional. Já sobre o país disse saber mais, até "pela forte emigração que há em França". A sua assistente, há 15 anos, é portuguesa, e por conhece Portugal e alguns aspectos da sua cultura. "Já estive em casa dos pais dela [da assistente], que é próximo do Porto, e tenho pratos pintados portugueses em casa", disse, entre risos. Esta foi a pergunta que todos os jornalistas lhe fizeram, segundo disse, o que a fez estranhar uma pouco. "Sei da importância de Portugal, até pelas descobertas que fez, nomeadamente do Brasil", disse. Esta é a terceira vez que vem a Portugal, desta vez para abrir o III Estoril Film Festival, devendo partir hoje, segundo revelou. Juliete Binoche, 45 anos, estreou-se no cinema aos 18 anos e recebeu já o Prémio Melhor Actriz do Festival de Cinema Europeu em 1992 pelo seu papel de pintora em "Les amants du Pont-Neuf", um César aos 24 anos por "Trois Couleurs - Bleu" e um Óscar para a Melhor Actriz Secundária, em 1996, pela enfermeira Hanna em "O paciente inglês".