Julho foi 7.º mais seco em Portugal desde 2000 e 9.º mais quente desde 1931
20 de ago. de 2025, 15:21
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o IPMA precisa que o total de precipitação em julho, 3,3
milímetros, foi “muito inferior à normal” tendo em conta o período
1991-2020, “cerca de 33% do valor médio”.O
IPMA aponta um “aumento significativo da seca que se estendeu a dois
terços do território continental, com destaque para o agravamento na
região noroeste”, acrescentando que a 31 de julho cerca de 67% do
território de Portugal continental se encontrava em “seca
meteorológica”.Em termos de temperatura
média do ar, a de julho foi 1,02 graus Celsius (°C) acima do valor
normal para o período 1991-2020 e “o valor médio de temperatura máxima e
mínima do ar também foram superiores à normal, +1,44°C e +0,61°C,
respetivamente”.O IPMA assinala dois
períodos quentes (01 a 09 e 25 a 31 de julho) com valores de temperatura
do ar mais de 3,0 °C acima do valor médio mensal nos dias 03, 04, 30 e
31.“Nos dias 01, 03 e 16 de julho mais de
50% das estações do IPMA registaram dias muito quentes”, com
temperaturas máximas iguais ou superiores a 35 °C, sendo que a 01 cerca
de 20% das estações registaram um dia extremamente quente, com
temperaturas máximas iguais ou superiores a 40 °C, e 35% de noites
tropicais (temperatura mínima igual ou superior a 20 °C).Em
termos globais o mês passado foi o terceiro julho mais quente de que há
registos, com uma temperatura média do ar à superfície de 16,68 °C,
“0,45 °C mais quente do que a média no período de 1991-2020”.Na
Europa o passado mês de julho foi o 4.º mais quente de que há registos
no continente, atingindo a temperatura média do ar os “21,12ºC, +1,30°C
acima da média no período de 1991-2020”.O
comunicado refere “uma longa onda de calor” na região da
Fino-Escandinávia (inclui as penínsulas escandinava e de Cola, a Carélia
e a Finlândia), “sentida principalmente no Norte da Suécia, Noruega e
na Finlândia, onde se registaram 13 a 15 dias com temperaturas acima de
30 °C em diversas estações meteorológicas locais”. “Também
o sudeste europeu e a Turquia enfrentaram temperaturas extremas, com
Silopi, na Turquia, a registar 50,5 °C no dia 25 de julho, sendo a
primeira vez que uma temperatura superior a 50°C foi observada no país”,
adianta o instituto.Em relação a
Portugal, o balanço do IPMA indica ainda que “no final de julho teve
início nos distritos de Viseu e Vila Real uma onda de calor que se
prolongou pelo mês de agosto”.Portugal
continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais de grande
dimensão desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Os
fogos provocaram três mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos,
alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de
primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias
e área florestal.Portugal ativou o
Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual chegaram dois
aviões Fire Boss para reforço do combate aos fogos.Segundo
dados oficiais provisórios, até 20 de agosto arderam mais de 222 mil
hectares no país, ultrapassando a área ardida em todo o ano de 2024.