Julgamento por fraude fiscal contra Trump Organization agendado para outubro
12 de ago. de 2022, 17:22
— Lusa/AO Online
A empresa do
ex-presidente norte-americano Donald Trump e o diretor foram acusados no
verão passado de operar um esquema de evasão fiscal ao longo de mais de
15 anos, no qual supostamente pagavam a executivos "por baixo da mesa",
dando-lhes uma parte importante da sua compensação de forma a reduzir o
pagamento de impostos.Donald Trump não é
diretamente acusado no caso, que visa a sua empresa e Weisselberg, um
dos seus aliados mais fiéis e que trabalha há quase meio século para os
negócios da família.O juiz Juan Merchan
rejeitou hoje os argumentos apresentados pelos acusados, que pretendiam
arquivar o caso, assegurando que este tinha motivação política.Merchan
retirou uma das várias acusações de fraude fiscal contra a Trump
Organization, mas manteve as restantes e deu aval para o início do
julgamento.O processo deverá arrancar no próximo dia 24 de outubro com a seleção do júri, de acordo com a imprensa local.A
notícia chega a meio de uma semana difícil para Trump, em que o FBI
(polícia federal norte-americana) realizou buscas à sua mansão na
Florida, supostamente em busca de documentos de segurança nacional que o
ex-presidente teria retirado da Casa Branca e que, segundo o The
Washington Post, estariam ligados a armamento nuclear.Além
disso, o antigo chefe de Estado teve que depor na última quarta-feira
perante a Procuradoria-Geral de Nova Iorque no âmbito de uma longa
investigação sobre as práticas comerciais da sua empresa.Trump,
que passou horas reunindo-se com os procuradores naquele dia, optou por
permanecer em silêncio e não responder às perguntas, considerando que
está a ser alvo de "uma caça às bruxas politicamente motivada",
explicou.O caso que vai a julgamento em
outubro é resultado das primeiras acusações que foram apresentadas fruto
das investigações aos negócios da 'Trump Organization'.Weisselberg
é acusado de ser um dos principais beneficiários do suposto esquema de
fraude fiscal, tendo encaixado até 1,7 milhões de dólares (1,65 milhões
de euros) em impostos por liquidar, segundo a acusação, que também visa
um membro da sua família e pelo menos dois outros funcionários da
empresa.A 'Trump Organization'
supostamente pagou a essas pessoas salários mais baixos – reduzindo
assim os seus impostos sobre a folha de pagamento – enquanto lhes
oferecia uma compensação secundária que não foi devidamente relatada às
autoridades.Entre outros, Weisselberg e
outros executivos teriam conseguido alojamento, mensalidades para
escolas privadas e pagamentos em dinheiro para cobrir todos os tipos de
despesas pessoais.