Julgamento do ataque terrorista ao semanário Charlie Hebdo novamente adiado

23 de nov. de 2020, 16:56 — Lusa/AO Online

“O Tribunal ordena que se prolongue a suspensão do processo até segunda-feira, dia 30 de novembro”, anunciou o juiz-presidente da instância judicial, na sequência de uma divergência sobre a participação de Ali Riza Polat, um dos arguidos do processo que enfrenta as acusações mais graves e que está infetado com novo coronavírus, através de um sistema de videoconferência.O juiz-presidente considerou que neste momento não era necessário recorrer à videoconferência para ouvir o testemunho do acusado.O julgamento, cuja sentença deveria ter sido conhecida no passado dia 13, foi interrompido pela primeira vez no início do mês, depois de Ali Riza Polat e outros arguidos terem apresentado sintomas associados à infeção pelo novo coronavírus. Desde então, as audiências têm sido adiadas várias vezes, uma vez que alguns arguidos ainda apresentam sintomas da doença covid-19.Ali Riza Polat, de 35 anos, o único dos arguidos que é acusado de cumplicidade nos ataques terroristas de janeiro de 2015, está doente há quase três semanas e ainda apresenta sintomas.O tribunal considera que o estado de saúde de Ali Riza Polat não permite a realização de um testemunho presencial na sala de audiências.Inicialmente, estava previsto que o acusado participasse esta semana através de videoconferência.No entanto, o recurso do sistema de videoconferência foi contestado por vários advogados envolvidos no processo, especialmente depois do ministro da Justiça francês, Eric Dupont-Moretti, ter publicado um decreto no passado dia 18 de novembro que permite este tipo de comparência “sem que seja necessário obter um acordo das partes”.Ao início da sessão de hoje, o tribunal não se pronunciou sobre os recursos apresentados contra o uso do sistema de videoconferência, tendo decidido apenas um novo adiamento para permitir que o acusado tenha uma total recuperação.Segundo um médico que examinou Ali Riza Polat no domingo, o réu deverá ficar sem sintomas dentro de quatro a cinco dias.Em janeiro de 2015, o título satírico francês Charlie Hebdo foi alvo de um atentado ‘jihadista’ que fez 12 mortos, entre os quais estavam jornalistas e caricaturistas do jornal.Nessa mesma altura, ocorreu também um ataque num supermercado 'kosher' (judaico) nos subúrbios de Paris.