Julgamento com lugar para seis jornalistas e quatro familiares dos arguidos
Football Leaks
10 de ago. de 2020, 16:41
— Lusa/AO Online
Num
despacho, a que a agência Lusa teve acesso, a juíza Margarida Alves
lembra que, à limitação do número de lugares disponíveis na sala de
audiência, acrescem “as limitações próprias decorrentes da situação de
contingência” devido à pandemia de covid-19, as quais “impõe um conjunto
de regras” quanto à assistência do julgamento, que vai decorrer na sala
1 do piso 6 do Tribunal Central Criminal de Lisboa, “uma das de maior
dimensão” no Campus da Justiça.“Assim, e
tendo em conta as aludidas circunstâncias, resulta que a referida sala
tem disponíveis para assistência do público, isto é, para quem não sendo
sujeito processual, queira assistir às sessões de julgamento (seja ou
não representante da comunicação social), um total de 10 lugares”, diz o
despacho, com data de (após as 17:30) de sexta-feira, dia em que a
juíza Margarida Alves ordenou a libertação de Rui Pinto.Dos
10 lugares para o público, o tribunal decidiu que quatro fiquem
reservados para familiares dos arguidos Rui Pinto e Aníbal Pinto, que
será julgado por tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen, e
os restantes seis serão para jornalistas, os quais poderão também
sentar-se nos lugares destinados às “pessoas próximas dos arguidos”,
caso não estejam ocupados.“Não se
afigurando a melhor prática, desde logo em termos de equidade, ser o
tribunal a determinar por si, e sem mais, quais os senhores jornalistas
que devam ocupar esses lugares, desde já, se sugere que sejam os órgãos
de comunicação social (e se possível ‘agrupando-se’ por grupos
editoriais’, por exemplo) a vir indicar quais os jornalistas que os
representarão em audiência de julgamento”, lê-se no despacho da
presidente do coletivo de juízes.O
despacho judicial explica que “tais jornalistas serão acreditados pelo
tribunal, após a exibição da respetiva carteira profissional, e
constarão de uma lista própria que será disponibilizada à segurança do
tribunal”, acrescentando que, “posteriormente, a sua presença em
audiência de julgamento será feita em função da disponibilidade concreta
a cada sessão”.O tribunal diz ainda que não vai permitir a captação de qualquer imagem ou som dentro da sala de julgamento.Rui
Pinto começa a ser julgado em 04 de setembro por 90 crimes: 68 de
acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso
ilegítimo e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por
tentativa de extorsão ao fundo de investimento Doyen.Estão agendadas, em média, três sessões por semana.Aníbal
Pinto, advogado de Rui Pinto à data dos factos e que será julgado pela
tentativa de extorsão [em outubro de 2015] de entre 500.000 euros a um
milhão de euros ao fundo de investimento Doyen, é o segundo arguido no
processo.Rui Pinto, criador da plataforma
Football Leaks e responsável pelo processo Luanda Leaks, em que a Isabel
dos Santos é a principal visada, saiu na sexta-feira em liberdade, por
decisão da juíza Margarida Alves, encontrando-se agora inserido no
programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção
policial, por questões de segurança.O
Ministério Público (MP) opôs-se à libertação, que foi justificada pela
juíza Margarida Alves com a “contínua e consistente colaboração” com a
Polícia Judiciária e o “sentido crítico” do criador da plataforma
Football Leaks.No início de junho, o
Tribunal da Relação de Lisboa negou provimento ao recurso do Ministério
Público (MP) e manteve a decisão instrutória, proferida em 17 de
janeiro, que pronunciou (levou a julgamento) Rui Pinto por 90 crimes e
não pelos 147 que constavam da acusação do MP.Em
setembro de 2019, o MP acusou Rui Pinto de 147 crimes, 75 dos quais de
acesso ilegítimo, 70 de violação de correspondência, um de sabotagem
informática e um de tentativa de extorsão, por aceder aos sistemas
informáticos do Sporting, da Doyen, da sociedade de advogados PLMJ, da
Federação Portuguesa de Futebol e da Procuradoria-Geral da República
(PGR).