Juízes hoje em greve geral contra revisão "incompleta" de Estatuto
20 de nov. de 2018, 10:25
— Lusa/AO Online
Na
segunda-feira, o presidente da Associação Sindical dos Juízes
Portugueses (ASJP) previu que a greve geral terá uma "adesão muito
forte", culpando o Governo por não deixar outra alternativa aos
magistrados judiciais ao apresentar uma proposta de revisão do Estatuto
que "não é aceitável". Além
da greve geral de hoje, que abrange tribunais de todo o país e envolve à
partida cerca de 2.300 magistrados, estão previstos mais 20 dias de
greve parcial, repartidos por diferentes tribunais e por datas que vão
até outubro de 2019.
Quanto ao impacto da greve no funcionamento dos tribunais e na vida dos
cidadãos, o presidente da ASJP reconheceu que a greve terá "custos
sociais", insistindo na ideia de que "infelizmente" os juízes não tinham
outra alternativa face ao incumprimento de promessas assumidas pelo
Governo e ao não acolhimento de matérias relacionadas com a carreira e o
sistema remuneratório.
Durante a greve serão assegurados serviços mínimos, designadamente
aqueles que digam respeito aos direitos e liberdades fundamentais, à
situação dos menores em risco, aos presos com mandado de detenção
europeu (MDE) e pessoas com problemas de saúde mental. Apesar
dos julgamentos com arguidos presos serem considerados processos
urgentes, tal situação não é abrangida pela proposta de serviços mínimos
apresentada ao Conselho Superior da Magistratura (CSM), pelo que, hoje,
as audiências de julgamento com presos preventivos estão em risco de
não se realizarem.A
greve foi convocada para todos os juízes em funções em todos os
tribunais judiciais, tribunais administrativos e fiscais, Tribunal
Constitucional e Tribunal de Contas.