Juiz quer saber se Costa falou com Marcelo ou com alguém da Casa Militar
Tancos
28 de jan. de 2020, 12:21
— Lusa/AO Online
Num
questionário de 100 perguntas enviadas a António Costa, arrolado como
testemunha do caso de Tancos pelo seu ex-ministro da Defesa e arguido
Azeredo Lopes, o juiz pergunta ao primeiro-ministro quando e através de
quem teve conhecimento do assalto e questiona-o se o assalto aos Paióis
Nacionais de Tancos (PNT) foi tema de conversa com Marcelo Rebelo de
Sousa.Carlos Alexandre quer saber quando
foi a primeira vez que o primeiro-ministro falou com Azeredo Lopes e com
o então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (Rovisco
Duarte) sobre o furto do armamento e se o assunto também foi abordado em
conversas tidas com o à data diretor da Polícia Judiciária Militar
(PJM) e arguido Luís Vieira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros,
Augusto Santos Silva, e com a secretária-geral do Sistema de Segurança
Interna, Helena Fazenda.No extenso
questionário, o magistrado interroga o primeiro-ministro de que forma,
por quem e a que horas teve conhecimento da recuperação na Chamusca do
material furtado em Tancos e se soube de que forma como ocorreu.A
investigação ao furto ter sido atribuída à Polícia Judiciária, por
determinação da então procuradora-geral da República (PGR), Joana
Marques Vidal, também consta do questionário, bem como a reação de Luís
Vieira à decisão da PGR.António Costa é também questionado sobre eventuais reuniões entre Azeredo Lopes e Luís Vieira fora do Ministério da Defesa.Ao
chefe do Governo é também perguntado se sabe se Azeredo Lopes e Luís
Vieira mantiveram contactos com o tenente-general João Cordeiro, à data
chefe da Casa Militar da Presidência da República.O
magistrado quer ainda saber se o primeiro-ministro concluiu que a
recuperação do material de guerra tinha sido encenada pela PJM e se
achou que tinha havido uma investigação à revelia da Polícia Judiciária.As
perguntas terminam com uma referência a um ‘e-mail’ de Luís Vieira para
Vasco Brazão, arguido e à data dos factos porta-voz da PJM, no qual se
lê que o diretor da PJM diz que contou tudo o que sabia ao chefe da Casa
Militar do Presidente da República e que o primeiro-ministro deveria
estar a receber ‘inputs’ de vários lados.Sobre
este assunto, o juiz quer saber se António Costa teve conhecimento do
conteúdo do ‘email’ e se recebeu informações sobre o caso de Tancos. O primeiro-ministro tem agora 15 dias para responder por escrito ao tribunal.O
processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-diretor nacional da
Polícia Judiciária Militar Luís Vieira, que já foi inquirido nesta fase,
o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino,
apontado como cabecilha do furto das armas, que respondem por um
conjunto de crimes que incluem terrorismo, associação criminosa,
denegação de justiça e prevaricação, falsificação de documentos, tráfico
de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.O
caso do furto das armas foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de
2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada
recuperação do material de guerra ocorrido na região da Chamusca,
Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em
colaboração com elementos da GNR de Loulé.