Juiz Ivo Rosa substituído na instrução do processo
BES/GES
6 de set. de 2022, 17:48
— Lusa/AO Online
“Tendo saído o Sr.
Juiz Ivo Rosa do Juízo 2, o processo n.º 324/14.0TELSB, também conhecido
como processo BES/GES, continua no respetivo juízo e será tramitado
pelo Sr. Juiz aí colocado a exercer funções”, informou o órgão de gestão
e disciplina dos magistrados, reiterando que “a transferência de um
juiz para outro juízo por via do movimento não viola o princípio do juiz
natural” e que a distribuição foi “efetuada aleatoriamente” para aquele
Juízo do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC). Apesar
da saída da instrução do caso BES/GES, Ivo Rosa – que foi promovido aos
Tribunais da Relação e, simultaneamente, está a ser alvo de um processo
disciplinar – vai manter a instrução do caso “O Negativo”. “O
Sr. Juiz Ivo Rosa ficará afeto ao Tribunal Central de Instrução
Criminal, dando, nos termos da lei processual penal, continuidade à
tramitação do processo n.º 5432/15.7TDLSB, de especial complexidade,
cujo debate instrutório já iniciou”, referiu o CSM.A
decisão foi tomada na reunião plenária de hoje do organismo, que já
havia definido no passado mês de junho um prazo máximo de oito meses
para a conclusão da instrução do caso BES/GES, fevereiro de 2023. Com
pouco mais de três anos de experiência, segundo a lista de antiguidade
dos magistrados judiciais referente a dezembro de 2021, Pedro Santos
Correia entrou para o TCIC no movimento de magistrados efetivado este
mês, proveniente do Juízo de competência genérica de Celorico da Beira.O
processo BES/GES contava inicialmente com 30 arguidos (23 pessoas e
sete empresas), mas restam agora 26 arguidos, num total de 23 pessoas e
três empresas. Considerado um dos maiores
processos da história da justiça portuguesa, este caso agrega no
processo principal 242 inquéritos, que foram sendo apensados, e queixas
de mais de 300 pessoas, singulares e coletivas, residentes em Portugal e
no estrangeiro. Segundo o Ministério Público (MP), cuja acusação
contabilizou cerca de quatro mil páginas, a derrocada do Grupo Espírito
Santo (GES), em 2014, terá causado prejuízos superiores a 11,8 mil
milhões de euros.