Judoca Patrícia Sampaio chegou ao ouro e 'apagou' as más memórias de Budapeste
9 de nov. de 2021, 12:27
— Lusa/AO Online
Pouco
mais de um ano após o desespero e as lágrimas no Grand Slam de
Budapeste, a judoca voltou à cidade magiar para ser feliz, e, por isso
mesmo, não conseguiu evitar o choro, desta vez de contentamento, com a
vitória na final.“[A emoção no final] Teve
a ver com todo o processo, demonstrei interesse em ir a Budapeste,
porque queria lembrar-me que era uma cidade ‘feliz’ e não ter a última
memória de ter sido onde parti a perna”, disse à Lusa a judoca.Patrícia
Sampaio lembrava o incidente de outubro de 2020, quando, em competição
na capital húngara, sofreu uma fratura com luxação na perna direita, que
a deixou fora de competição durante vários meses.“Foi
um ano muito atribulado, muito complicado, e agora foi o ‘virar’ da
chave”, explicou a judoca, acrescentando que a prova que lhe deu no
domingo o título europeu de sub-23, em -78 kg, teve o bónus de lhe dar
também boas sensações e confiança.Após a
lesão, Patrícia Sampaio esteve nos Europeus de Lisboa, em abril, de onde
saiu também lesionada, com uma microrrotura muscular, e, já no final de
julho, fez a estreia em Jogos Olímpicos, tendo sido eliminada na
segunda ronda pela campeã mundial, a alemã Anna-Maria Wagner e medalha
de bronze em Tóquio2020.As dificuldades
parecem agora ultrapassadas, com os Europeus de sub-23 a devolverem à
judoca de Tomar, de 22 anos, a confiança que faz com que seja várias
vezes apontada como um dos nomes fortes na nova geração da modalidade.“Estava muito focada, confiante. Senti-me a pessoa que era antes, mais combativa”, justificou.Nos
Europeus, a judoca foi como um ‘foguete’ e, apesar de se lesionar na
zona lombar na meia-final, que levou o treinador Marco Morais a
questionar se estava bem para a final, quis lutar pelo ouro.Nos
dois primeiros combates, Patrícia Sampaio venceu a israelita Yuli
Mishiner, em 30 segundos, e a austríaca Maria Hoellwart, em 31, enquanto
na final precisou de um pouco mais, mas ainda assim sem chegar a meio
dos quatro minutos.A judoca garantiu o
título, uma vez mais na luta no chão, desta vez ao projetar e imobilizar
a croata Petrunjela Pavic, em 1.18 minutos.Para
a judoca da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, os próximos passos
estão bem definidos: este ano, terminar com a participação no Grand Slam
de Abu Dhabi (26 a 28 de novembro) e, depois, somar pontos para voltar a
subir na categoria de -78 kg.A judoca já
esteve mais acima, mas a falta de competição e as lesões fizeram com que
caísse até à 31.ª posição, algo que quer mudar, entrando em lugares
mais confortáveis, com estatuto de cabeça de série, em novo ciclo
olímpico, para Paris2024.“Para o ano, é
voltar a ter posição, quero subir e ser cabeça de série”, adiantou a
judoca, que nos Europeus de sub-23 chegou ao terceiro título
continental, depois de ter sido também bicampeã europeia de juniores
(2018 e 2019).