Judoca Joana Santos só pensa em revalidar o ouro em Tóquio
Surdolímpicos
13 de nov. de 2025, 12:28
— Lusa/AO Online
“O meu maior desejo neste
momento é vencer em Tóquio e só penso nisso”, assumiu a judoca natural
de Faro à agência Lusa, garantindo que se sente “motivada e com força
para vencer combate até à final”, nos Jogos Surdolímpicos, que
decorrerão entre sábado e 26 de novembro.Joana
Santos, que consegui o seu primeiro pódio em Jogos Surdolímpicos com
ouro em Taipé2009, em -63 kg, assume que para combater na categoria de
peso abaixo foram necessários alguns esforços.“Neste
momento sinto-me bem, perdi algum peso para conseguir combater na
categoria de -57 kg, o que altera um pouco a nossa rotina e também o
nosso estado emocional, mas é neste peso que me sinto melhor, por isso
estão reunidas as condições a que me propus para atingir a revalidação
do título, mas no judo há sempre surpresas e depende muito do que vamos
lá encontrar", considera.Aos 35 anos, a
judoca, que na categoria -63 kg juntou ao ouro em Taipé2009 uma prata em
Sófia2013 e um bronze em Samsun2017, admite que ainda não tem definido o
futuro desportivo depois dos Jogos Tóquio2025.“Quanto
ao futuro, ainda não consigo definir muito bem como vai ser, mas não me
vejo sem praticar judo, no entanto penso reduzir um pouco a atividade,
pois além do judo específico para pessoas surdas ainda treino e compito
com ouvintes, o que começa a pesar, mas ainda não decidi sobre isso”,
garante.Joana Santos, atleta do Judo Clube
do Algarve desde os nove anos, não disputou qualquer prova para surdos
após os Jogos de Caxias do Sul, algo que lamenta: “Neste período não
participei em qualquer prova para surdos, até porque em Portugal não
existem provas de judo especificamente para surdos, vivi todos estes
anos com a esperança que isso um dia pudesse acontecer, mas não
aconteceu”. “No Campeonato da Europa
estava grávida e não pude participar. Quanto ao Campeonato do Mundo,
embora me sentisse preparada e com imenso trabalho de muitas horas
realizado, não participei por um problema da organização na minha
inscrição para a prova”, explica.No
entanto, a judoca assegura que, durante esse período, nunca parou a
preparação, tendo participado sempre em treinos e estágios nacionais e
internacionais.“Participei também em
provas para ouvintes”, refere, enumerando algumas conquistas: campeã
nacional de veteranos (em 2024 e 2025), terceira no campeonato nacional
de seniores (2024) e terceira no Open Bekers Van Gent, na Bélgica.Licenciada
em design de comunicação, área na qual faz trabalhos pontuais, Joana
Santos concilia o judo com o trabalho na Escola Básica Ria Formosa, em
Faro, e com a vida familiar. Com dois
filhos, o Santiago, de sete anos, e o Mateus, de três, a judoca
algarvia, campeã mundial em 2008, assume que a permanência na alta
competição só é possível “com a ajuda e o apoio” que recebe da família, e
confessa que eventuais novos projetos terão de esperar um pouco.“Tenciono
manter-me assim por enquanto, com dois filhos pequenos não me sobra
tempo para projetos novos, talvez quando terminar a alta competição e
eles forem mais crescidos pense nisso”, explica.Nos
Jogos Surdolímpicos Tóquio2025, Portugal vai estar representado por 13
atletas, que competem em cinco modalidades: atletismo, ciclismo, judo,
natação e tiro.Esta edição marca o
centenário desta competição multidesportiva, criada em 1924. Tóquio
acolherá aproximadamente 3.000 atletas de cerca de 80 países, que
competirão em 21 modalidades distribuídas por 17 arenas. Portugal somará a sua nona participação em Jogos Surdolímpicos, competição na qual já conquistou 17 medalhas.