Juan Gabriel Vásquez, Djaimilia Pereira de Almeida e Joana Bértholo no festival Monte Brasil

Hoje 15:33 — Lusa/AO Online

“É um festival internacional de literatura e história e nisso distingue-se da generalidade dos outros festivais portugueses. E porquê? Porque Angra [do Heroísmo] é uma cidade classificada como Património Mundial [da UNESCO] não em função da sua arquitetura, das suas tradições, ou, como outros lugares dos Açores, por exemplo, do seu vinho, mas em função do seu papel da história”, afirmou o escritor Joel Neto, presidente da Dois Caminhos – Associação Para a Promoção das Artes e da Cultura, que organiza o evento.O festival, que decorre de 27 de novembro e 6 de dezembro, tem como tema “À descoberta da identidade”, assinalando os 50 anos da autonomia dos Açores, celebrados em 2026, e os 600 anos da descoberta do arquipélago, que se comemoram em 2027.Segundo Marta Cruz, da associação Dois Caminhos, está prevista a participação de “cerca de uma centena de autores, historiadores, narradores orais, professores, agentes culturais, coletivos, artistas e leitores”.Entre eles, destacam-se Juan Gabriel Vásquez, “aclamado e premiado romancista, jornalista e tradutor que é hoje um dos nomes cimeiros da literatura colombiana”, autor dos livros “Os Informadores” e “O Barulho das Coisas ao Cair”, e a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, autora de “Esse Cabelo”, distinguida como o Prémio Oceanos em 2019, com o livro “Luanda, Lisboa, Paraíso”.Participam ainda os escritores João de Melo, Rui Couceiro, Joana Bértholo, Adélia de Carvalho, Pedro Almeida Maia, Luís Corte-Real, Inês Bernardo, André Simões e Rita da Nova e a narradora oral galega Charo Pita.A programação conta também com o historiador de arte Vítor Serrão, da historiadora Irene Flunser Pimentel e do jornalista José Pedro Castanheira.“São nomes que mostram bem a dimensão internacional e a diversidade que nós pretendemos dar ao festival Monte Brasil e o esforço que a Dois Caminhos pretende continuar a fazer para promover a literacia na Terceira e nos Açores e trazer a Angra do Heroísmo painéis quão ecléticos e inesquecíveis quanto possível”, salientou Marta Cruz.O festival conta com uma feira do livro, lançamentos de livros, conversas com escritores e historiadores, visitas de escritores a escolas e uma cabine para gravação de leituras em vinil.O evento apresenta também música, teatro, declamação de poesia e exposições de fotografia.Haverá duas leituras públicas, uma do livro “Ilhas Desconhecidas”, de Raúl Brandão, publicado há 100 anos, que ocorrerá em todas as escolas da ilha Terceira, e outra do livro infantil “As Aventuras de Pinóquio”, do italiano Carlo Collodi, para assinalar o bicentenário do seu nascimento, que terá lugar numa unidade hoteleira.Joel Neto propõe a assinatura de um protocolo para a federação das leituras públicas de Angra do Heroísmo, alegando que é “provavelmente a cidade portuguesa com mais leituras públicas per capita”.“Aquilo que nós propomos é federar todas estas literaturas, assinar um protocolo e reclamar para Angra o título de Cidade da Leitura”, explicou.Na Praia da Vitória, segundo concelho da ilha Terceira, é organizado, em outubro, há mais de duas décadas, o festival literário Outono Vivo, mas o presidente da associação Dois Caminhos entende que são “propostas muito distintas”.“Eu penso que os dois eventos são bastante complementares. E, aliás, sublinho a nossa disponibilidade e o nosso interesse em que venham a ser desenvolvidas parcerias entre os dois eventos, inclusive com o livreiro, seja ele qual for, que estiver encarregado da feira do livro do Outono Vivo”, apontou.O município de Angra do Heroísmo, principal parceiro financeiro do festival Monte Brasil, vai construir uma estátua de homenagem a Fernando Pessoa, que passou nove dias na cidade natal da sua mãe, onde terá criado o seu primeiro heterónimo aos 13 anos.“Teremos uma escultura que criará pela primeira vez a personificação daquilo que foi o primeiro heterónimo de Fernando Pessoa, Eduardo Lança”, revelou o vice-presidente do município Guido Teles.Quanto ao festival, o autarca considerou que “é um projeto com potencial para crescer, consolidar-se no programa cultural açoriano e nacional e reforçar a projeção de Angra do Heroísmo enquanto cidade de cultura, de conhecimento e de encontro”.A generalidade dos eventos é de entrada gratuita e a maioria decorre no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo, onde também será montada a feira do livro.Com um orçamento superior a 41 mil euros, o festival é apoiado pelo município de Angra do Heroísmo, pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e pelo Governo Regional dos Açores, contando ainda com a colaboração de outras entidades e patrocínios privados.