JS/Açores diz que solução não responde aos problemas dos estudantes açorianos
Exames
20 de jul. de 2026, 15:14
— Lusa/AO Online
“A
criação de uma época especial de exames em setembro não resolve a
situação dos alunos que continuam sem classificações ou daqueles que,
perante os resultados obtidos, necessitam de recorrer à segunda fase dos
exames nacionais”, considerou a JS/Açores em comunicado.O
ministro da Educação anunciou que irá manter o calendário da
primeira fase do acesso ao ensino superior, que arrancou hoje, apesar
dos constrangimentos da classificação e divulgação das notas dos exames
nacionais.Em conferência de imprensa,
Fernando Alexandre reconheceu vários erros no processo de classificação
das provas e anunciou que os alunos prejudicados poderão realizar exames
nacionais numa época especial, que se realizará em setembro.O
líder da JS nos Açores, Russell Sousa, citado na nota, refere que o
Governo da República “voltou a demonstrar que continua sem compreender a
realidade dos estudantes açorianos”.“Viver
nos Açores não é o mesmo que viver no continente. Cada atraso tem
consequências muito mais graves para quem precisa de organizar viagens,
alojamento, candidaturas e toda a sua vida com semanas de antecedência”,
disse.Segundo Russel Sousa, a solução
“chega tarde e é insuficiente”: “Há centenas de alunos que continuam sem
conhecer as suas classificações e outros que apenas agora sabem que
terão de realizar exames na segunda fase. Não se pode exigir que estes
jovens reorganizem toda a sua vida em poucos dias por falhas que são
exclusivamente da responsabilidade do Estado”.A
JS/Açores alerta, ainda, que os estudantes das Regiões Autónomas que
ingressam através da segunda fase “deixam de poder beneficiar do
contingente especial destinado aos estudantes açorianos e madeirenses,
concorrendo apenas pelo contingente geral”.“Este
é um dos aspetos mais injustos de toda esta situação. Um aluno açoriano
que seja empurrado para a segunda fase, por circunstâncias que não
controla, perde automaticamente a possibilidade de beneficiar do
contingente especial de acesso ao ensino superior. Isto significa que
pode ficar numa posição de desigualdade relativamente aos restantes
estudantes, sem ter qualquer responsabilidade no sucedido”, referiu.Para
Russell Sousa, o Governo “tem a obrigação de garantir que nenhum
estudante é prejudicado por falhas administrativas que lhe são
totalmente alheias”, salientando que a igualdade de oportunidades “não
pode depender da sorte nem do código postal”.A
JS/Açores apela ao Governo da República que adote “medidas excecionais”
que garantam que nenhum estudante açoriano seja prejudicado no acesso
ao ensino superior devido aos atrasos na divulgação das classificações
dos exames nacionais.O ministro da
Educação, Fernando Alexandre, também recusou o pedido de
professores e pais para abolir os 25 euros exigidos para a reapreciação
dos exames nacionais, justificando tratar-se de uma "taxa moderadora"."Os
25 euros têm de se manter. É uma taxa moderadora", defendeu o ministro
durante uma conferência de imprensa no dia em que começam as
candidaturas do concurso nacional de acesso ao ensino superior e na
véspera do arranque da 2.ª fase dos exames nacionais.Este
foi o primeiro ano em que os exames nacionais do ensino secundário,
realizados por cerca de 166 mil alunos, foram corrigidos em formato
digital, mas o processo registou falhas técnicas, obrigando o Ministério
da Educação a rever o calendário inicialmente previsto.