JS/Açores defende contingente prioritário em todas as fases de acesso ao superior
Hoje 16:16
— Lusa/AO Online
Em
conferência de imprensa com o PS/Açores, em Ponta Delgada, Russell
Sousa afirmou que “não podem ser os estudantes açorianos a suportar as
consequências de erros pelos quais não têm qualquer responsabilidade”,
tendo em conta "as sucessivas falhas registadas na realização e
divulgação dos exames nacionais criaram uma situação inédita". “O
que aconteceu este ano não foi normal. Houve atrasos na divulgação das
classificações, resultados suspensos, erros na publicação das notas e
jovens que tiveram de decidir se avançavam para a segunda fase sem
sequer conhecerem o resultado definitivo da primeira”, afirmou, citado
numa nota divulgada pelo partido.O
dirigente lembrou que, em alguns casos, os estudantes receberam
inicialmente uma classificação de zero, inscreveram-se na segunda fase
com base nessa informação e só mais tarde souberam que o resultado
estava errado, sendo obrigados a reorganizar toda a preparação para os
exames e o seu percurso de acesso ao ensino superior.Segundo
Russell Sousa, "esta situação torna-se ainda mais penalizadora para os
estudantes açorianos, porque a legislação atualmente em vigor não
permite beneficiar do contingente prioritário dos Açores na segunda fase
de candidatura".“Sabemos que esta regra
já existia, mas aquilo que aconteceu este ano é absolutamente
excecional. Não faz sentido que um estudante açoriano seja prejudicado
por erros da administração e, por isso, defendemos que o contingente
seja aplicado em todas as fases de candidatura durante este ano”,
sustentou.Os jovens açorianos, sublinhou,
enfrentam desafios acrescidos no acesso ao ensino superior, devido à
condição ultraperiférica do arquipélago.“Um
estudante açoriano que entra no ensino superior precisa de organizar
viagens, encontrar alojamento, planear uma mudança e preparar uma nova
vida, seja no continente ou noutra ilha. Cada atraso significa mais
ansiedade, mais incerteza e maiores dificuldades para as famílias”,
referiu.Para a JS, não está em causa um privilégio, mas uma questão de justiça."O
contingente dos Açores existe precisamente porque o Estado reconhece
que a insularidade cria dificuldades adicionais no acesso ao ensino
superior. Não podemos aceitar que, perante falhas tão graves, sejam
precisamente os estudantes açorianos a sair prejudicados”, sustentou.A
estrutura partidária apelou ainda ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM)
para que assuma "uma posição firme junto do Governo da República e das
entidades competentes", em defesa dos "interesses dos estudantes
açorianos" e para que seja encontrada uma solução que "impeça qualquer
discriminação no acesso ao ensino superior".“Os
jovens fizeram a sua parte. Agora é o Governo da República que tem de
fazer a sua, garantindo que nenhum estudante açoriano é prejudicado por
erros que não cometeu”, vincou Russell Sousa.