JPP defende equilíbrio nos apoios à comunicação social
23 de jan. de 2024, 18:34
— Lusa
“É importante que a comunicação social faça o seu trabalho com imparcialidade e para ser feito com imparcialidade, obviamente há um ponto de equilíbrio. Se [um órgão de comunicação] for demasiado apoiado pelas entidades públicas, pode-se levar à linha de pensamento de que está a ser comprado. Isso depois põe em cheque a posição e o pensamento de cada jornalista”, afirmou Carlos Furtado.O candidato do Juntos Pelo Povo (JPP), que encabeça os círculos eleitorais de São Miguel e da compensação, falava, em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião com a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), na ilha Terceira.Dezasseis órgãos de comunicação social privados dos Açores enviaram aos partidos que concorrem às eleições regionais uma carta alertando para a “dramática situação” vivida no setor e sugerindo um “acordo de regime” sobre os apoios a atribuir.Questionado sobre a missiva, Carlos Futado defendeu que tem de haver “um ponto de equilíbrio em que se consiga prestar um bom serviço à população, por parte dos órgãos de comunicação social, sem que se sintam comprometidos na sua linha editorial”, admitindo que é “um desafio complicado”.“Uma sociedade é tão elevada quanto o nível de elevação do trabalho da comunicação social que existir”, frisou.O candidato do JPP disse que “a sociedade mudou bastante” e que é preciso “conseguir manter a população devidamente informada, com imparcialidade”.“Leva a alguma reflexão sobre o assunto. Podem contar com o JPP. Estamos sensíveis a isso”, apontou, propondo “parcerias entre órgãos de comunicação social”.A missiva, noticiada hoje pela Antena 1/Açores e a que Lusa teve entretanto acesso, é assinada pelos diários Açoriano Oriental e Correio dos Açores, em representação também dos jornais Diário Insular, Incentivo, Diário dos Açores, Dever, Ilha Maior, Jornal do Pico, Tribuna das Ilhas, e das rádios Atlântida, R80, Rádio Clube de Angra, Asas do Atlântico, Antena Nove, Cais e Rádio Comercial dos Açores.Referindo o papel da comunicação social como “pilar do regime democrático e da própria autonomia” regional, e sublinhando que o seu trabalho é também de serviço público, os órgãos recordam a existência do programa Promédia, mas pedem outros apoios “vitais para a sua sobrevivência, nomeadamente o apoio aos custos de exploração e produção, que sofreram todos aumentos incomportáveis nos últimos anos”.Dado não ter sido possível discutir atempadamente uma proposta de decreto legislativo regional sobre os apoios, e para que o tema entre na campanha para as eleições açorianas de 04 de fevereiro, os subscritores querem conhecer as ideias dos partidos sobre o tema e pedem uma audiência com os seus representantes, para expor pessoalmente as suas preocupações.Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.