Jovens portugueses em greve em vésperas da chegada de Greta Thunberg
Clima
27 de nov. de 2019, 16:35
— Lusa/AO Online
Por um lado, a
greve foi anunciada “em cima da hora”, segundo a organização, mas, por
outro, a jovem ativista sueca Greta Thnuberg deverá visitar Portugal já
na próxima semana.A expectativa quanto ao
número de participantes na greve climática que se realiza na sexta-feira
não é muita, até porque vão aderir menos cidades, mas a organização
considera que, neste momento, o mais importante não é contar pessoas.“A
greve foi anunciada um pouco em cima da hora, mas esperamos a presença
de muita gente. No entanto, o principal agora não é o número de pessoas
presentes, mas conseguir mobilizar o máximo de gente possível para a
COP25”, que começa na próxima semana, contou à Lusa Alice Gato, uma das
jovens envolvidas na organização da Greve Climática Global em Portugal.Neste
momento estão confirmadas greves em cinco localidades: Lisboa, Porto,
Coimbra, Faro e Santa Maria, nos Açores. Estão também previstos outros
tipos de ações em Penafiel, Évora e Caldas da Rainha, acrescentou.Alice
Galo contou à Lusa que há muitos jovens dispostos a viajar até às
cidades, onde se vai fazer greve, para aderir ao protesto. É
o caso da estudante do ensino secundário Inês Aleixo, que vai viajar da
Marinha Grande para participar na manifestação prevista para Lisboa. A
jovem foi uma das responsáveis pela organização da greve climática em
Leiria, que se realizou no final de setembro, mas desta vez o seu
trabalho está a passar por organizar e dar apoio a quem queira
participar na ação de Lisboa.“Desta vez
tivemos menos tempo para preparar uma greve e por isso vamos aderir à de
Lisboa”, contou à Lusa Inês Aleixo, defendendo que o anúncio da vinda a
Portugal de Greta Thunberg “poderá mobilizar mais pessoas”.A
jovem ativista começou a faltar às aulas no ano passado para exigir
medidas políticas do parlamento sueco. A sua ação tem inspirado milhões
de jovens em todo o mundo. A adolescente irá participar no COP25, que começa na próxima semana em Madrid, mas antes passa por Portugal. Em
Portugal, os protestos de sexta-feira vão servir também para convencer o
máximo de pessoas a ir à COP25. Os protestos vão ter “uma componente
muito mais artística”, acrescentou Alice Gato.Em
Lisboa, por exemplo, irão participar vários movimentos como o “Linha
Vermelha” ou o “Red Rebel Brigade”, um grupo de ativistas conhecido
pelas suas encenações silenciosas em que aparecem todos vestidos de
vermelho.Já o coletivo “Linha Vermelha”
nasceu da vontade de lutar contra o problema da exploração de petróleo e
gás natural e destacou-se quando decidiu costurar em tricot e crochet
uma linha vermelha do comprimento do gasoduto, recordou Alice Gato.O
grupo contesta os dois contratos ativos para iniciar a prospeção de
combustíveis fósseis em Portugal fazendo um furo na Bajouca e outro em
Aljubarrota.Na sexta-feira, o grupo irá
levar a linha vermelha já tricotada para a transportar desde o Largo do
Camões, onde começa o protesto, até ao largo em frente à Assembleia da
República, onde termina.Em Portugal, os
ativistas exigem o encerramento das centrais de carvão, a paragem de
quaisquer novos projetos que aumentem as emissões a nível nacional e a
neutralidade de carbono em 2030.