Jovens e IA em debate: entre oportunidades e desafios

18 de mai. de 2025, 10:56 — Ana Carvalho Melo

O webinar, promovido pelo Observatório da Juventude dos Açores (OJA), proporciona oportunidade para pensar criticamente os impactos da inteligência artificial (IA) nas vivências dos jovens e no futuro da educação, cruzando perspetivas científicas, pedagógicas e sociais.O webinar “Jovens e Inteligência Artificial: Entre usos no ensino e no quotidiano” decorre no próximo dia 20 de maio, entre as 16h00 e as 17h30, numa iniciativa do OJA , através do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade dos Açores (CICS.UAc/CICS.NOVA.UAc).Ao Açoriano Oriental, Francisco Sousa, docente da Universidade dos Açores e membro do CICS, explicou que este evento insere-se num ciclo de reflexão que o OJA tem vindo a desenvolver nos últimos anos, com foco na relação entre juventude e mundo digital.Segundo o docente, “há uma linha de continuidade temática nestes webinares, que em 2021 abordaram os jovens e o mundo digital, em 2022 a literacia digital, em 2023 a participação cívica, e em 2024 o ativismo político juvenil”.Sendo que esta sequência reflete “uma preocupação com a forma como os jovens participam na vida em comunidade, cada vez mais mediada por tecnologias digitais”.Neste contexto, o tema da inteligência artificial (IA) impõe-se como uma extensão natural desse percurso.“A IA é um tema incontornável, não está esgotado e pode ser abordado sob vários ângulos”, defende Francisco Sousa, sublinhando que “há ainda muita gente que tem dificuldade em lidar com estes fenómenos”.A sessão contará com a participação de dois especialistas com perfis complementares: Paulo Peixoto, da Universidade de Coimbra, conhecido pelo seu trabalho sobre fraude académica e plágio, e João Couvaneiro, do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, reconhecido pela sua abordagem pedagógica inovadora e uso criativo das novas tecnologias no ensino.Em entrevista ao Açoriano Oriental, Francisco Sousa explicou que a IA coloca questões prementes no universo educativo. “A fraude académica já existia, mas a inteligência artificial abre novas portas e é importante sabermos lidar com ela”, alerta, lembrando, no entanto, que estas ferramentas também trazem benefícios: “Nas turmas com que trabalho, não me parece que haja um só aluno que não recorra a uma ou outra ferramenta de inteligência artificial.”A questão central, segundo o investigador, está na forma como os docentes integram estas tecnologias no ensino.“Se os instrumentos de avaliação continuarem a seguir o modelo tradicional, pedindo apenas que o estudante reproduza informação, então estaremos a dar ‘um tiro no pé’, ou seja, a aumentar o risco de fraude”, afirma, defendendo: “Temos de mudar o foco da avaliação para a capacidade de refletir criticamente, organizar informação e resolver problemas.”Por outro lado, Francisco Sousa realça a importância da articulação entre capacidades humanas e ferramentas tecnológicas no uso da IA.“Terá tanto mais sucesso quem melhor conseguir conjugar a inteligência humana com a inteligência artificial. Se fizermos perguntas inteligentes à IA, todo o sistema se torna mais inteligente”, considera.Outro aspeto abordado prendeu-se com o risco de agravamento das desigualdades sociais provocado pelo acesso às novas tecnologias.“A tecnologia pode tanto atenuar como acentuar desigualdades. Isso foi evidente durante a pandemia de covid-19, com o ensino à distância”, lembra.Nesse sentido, explica que “com a IA, o problema repete-se: as versões gratuitas das ferramentas são limitadas, enquanto as versões pagas oferecem mais recursos. Isso levanta sérias questões de equidade no acesso.”O webinar, de participação gratuita, será transmitido em direto no canal de YouTube do CICS.NOVA.