Jovens exigem mudanças nas políticas ambientais
24 de mai. de 2019, 17:56
— Lusa/AO online
À greve estudantil
climática que acontece em cidades de todo o mundo, juntaram-se hoje
cerca de uma centena de jovens da ilha de São Miguel, que protestam
contra “a inação por parte dos governos face às alterações climáticas” e
pedem ao executivo português “que faça da resolução da crise climática a
sua prioridade”, segundo o manifesto do movimento.O
documento que, em Ponta Delgada, foi apresentado por Ada Pousa, aluna
da Escola Secundária Antero de Quental, e assinado por cerca de uma
centena de pessoas, pede que se vá para além das metas estabelecidas
pelos acordos internacionais, exigindo a antecipação da meta para a
neutralidade carbónica para 2030 e não 2050, alcançando 100% de produção
de energia elétrica através de energias renováveis e melhorando o
sistema de transportes públicos.Os jovens
micaelenses reunidos hoje assumem-se como “a última geração capaz de
mudar o planeta”, como se lia em alguns dos cartazes, e pedem à classe
política que mude “o sistema” e não o clima.Matilde
Soares, aluna do oitavo ano na Escola Secundária Antero de Quental, não
tem “a certeza se é possível”, mas acha que é fundamental que se faça o
esforço de “reverter o processo” de alterações climáticas.Uma
opinião partilhada pela colega de turma Filipa Bettencourt, que deixa o
alerta: “Se ninguém fizer nada ao que está a acontecer – o planeta a
mudar, espécies a extinguirem-se, o nível da água do mar a subir -, o
planeta vai ficar destruído”.“Nós não somos demasiado novos para fazer a diferença e nos fazermos ouvir”, afirma Filipa.Uma
das responsáveis pela organização da iniciativa em Ponta Delgada, Maria
Inês Teixeira, admite que a idade é muitas vezes um fator de
descredibilização.“Uma professora minha
disse que eu era ‘demasiado criancinha e demasiado idealista para fazer
esta greve’”, contou a jovem de 17 anos à Lusa.A
organização do evento contou também com o apoio da Associação Académica
da Universidade dos Açores, uma ajuda “muito importante”, que permitiu,
entre outras coisas, que o movimento fosse levado “mais a sério”.“Talvez
sejamos demasiado novos para fazer esta greve, mas não tivemos outra
opção. Porque, se somos demasiado novos para fazer isto, também devíamos
ser demasiado novos para saber que, todos os anos, toneladas de
plástico entram nos oceanos e que milhares de pessoas morrem por causa
dos incêndios, das cheias, e de todos os problemas que as alterações
climáticas causam”, afirmou Maria Inês Teixeira.No
encontro esteve presente o presidente da Câmara Municipal de Ponta
Delgada, José Manuel Boleiro, que congratulou a iniciativa e se mostrou
disponível a ouvir os contributos dos jovens sobre a política ambiental
do município.Durante a manhã estiveram
também no local membros do Bloco de Esquerda, PAN e Livre, uma presença
que a organização considera “importante”.“Como
estamos a fazer pressão política, é importante ter aqui políticos”,
afirmou a organizadora Ada Pousa, de 17 anos, ressalvando que o
movimento é “político, mas apartidário”.A
greve estudantil climática é uma iniciativa mundial, que também se
realiza em vários concelhos de Portugal e à qual se juntam organizações
não-governamentais e sociedade civil.Partiu
da ideia de uma jovem sueca de 16 anos, Greta Thunberg, que desde o ano
passado iniciou uma greve às aulas, uma forma de chamar a atenção para a
necessidade de mais ação para fazer face às alterações climáticas.