Jovens contra os projetos entregam hoje carta no parlamento
Eutanásia
19 de fev. de 2020, 11:16
— Lusa/AO Online
Na carta, intitulada "Prevenir o
que não se pode remediar", os jovens ligados aos centros universitários
da Companhia de Jesus consideram que aprovar a eutanásia é "um
irremediável erro que ainda é possível prevenir" e reiteram o apelo aos
deputados para que votem contra os projetos de lei que na quinta-feira
vão ser discutidos no parlamento.Os
subscritores do documento, com idades entre os 16 e os 30 anos,
manifestam preocupação com “o sofrimento, a doença e a solidão dos
idosos e doentes”, rejeitando que a eutanásia e o suicídio medicamentem
assistido sejam uma solução para estes problemas.Para
estes jovens, o debate público sobre a eutanásia é “escasso e pouco
esclarecedor” e entendem que a opção pela eutanásia não é uma questão de
liberdade do doente, pois esta esgota-se no momento em que terá de
haver um médico para a avaliar, validar e executar.Na
carta, é abordado o "muito que há por fazer na atenção a quem sofre",
referindo-se aos idosos que vivem sozinhos, à ausência de cuidados
paliativos ou às baixas pensões dos portugueses."Importa
criar condições para responder a estas situações, manifestando respeito
e cuidado pela pessoa e pela sua dignidade em todos os momentos e
circunstâncias da sua vida", defendem.O parlamento debate na quinta-feira cinco projetos de despenalização da eutanásia, da autoria do PS, BE, PAN, PEV e IL.Já
em 2018, a Assembleia da República debateu projetos de despenalização
da morte medicamente assistida do PS, BE, PAN e PEV, mas foram todos
chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois
maiores partidos deram liberdade de voto.Há
dois anos, o CDS-PP votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se,
uma maioria no PS votou a favor, o PAN e o BE votaram a favor.Face
ao resultado, os partidos defensores da despenalização remeteram para
esta legislatura a reapresentação de propostas, o que veio a acontecer.