Jovens com mestrado ganham em média mais 22% que licenciados
6 de dez. de 2022, 12:54
— Lusa/AO Online
O prémio salarial associado
à educação tem vindo a diminuir nos últimos anos para quem tem
licenciatura, mas no caso dos jovens com mestrado aumentou, segundo o
documento elaborado pela Fundação José Neves, pelo Observatório do
Emprego Jovem e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho
(OIT) para Portugal."O prémio salarial da
educação continua a existir de forma clara, mas tem vindo a diminuir o
que, por sua vez, pode reduzir os incentivos dos jovens ao prolongamento
do seu percurso educativo e formativo", pode ler-se no Livro Branco.Em
2010, um jovem adulto (entre os 25 e 34 anos) com licenciatura ganhava,
em média, mais 95% do que um jovem com ensino básico e mais 59% do que
um jovem com o ensino secundário, mas, em 2019, estes diferenciais
caíram para 60% e 42%, respetivamente. Por
outro lado, o prémio salarial associado ao mestrado "aumentou
substancialmente", salientam os autores, indicando que em 2019 os jovens
mestres ganhavam em média mais 22% do que os licenciados, 12 pontos
percentuais acima do registado em 2010. Em
2019, segundo o Livro Branco, o salário médio de um jovem mestre, com
idades entre 25 e 34 anos, era de 1.617,16 euros, enquanto o de um
licenciado se fixava 1.326,76 euros. Já um jovem com o ensino secundário
ganhava em média 934,44 euros e para um jovem com o ensino básico a
média era de 827,65 euros.Olhando para os
salários reais, o Livro Branco revela ainda que as remunerações dos
jovens trabalhadores licenciados recuaram 14,5% entre 2010 e 2019,
enquanto para os mestres e doutorados a queda salarial real foi de 5,1% e
de 5,6% respetivamente.Para os jovens com
o ensino secundário, a queda salarial real foi de 4,6% no mesmo
período, tendo, no entanto, os salários subido em 3,7% no caso dos
jovens com o ensino básico."Os baixos
salários dos jovens refletem-se na proporção expressiva de jovens a
auferir o salário mínimo", referem os autores, indicando que a
percentagem era de 33,9% no caso dos jovens até 25 anos e de 25,8% entre
os 25 e 29 anos, em junho de 2021. De
acordo com o Livro Branco, em Portugal, o emprego jovem continua a ser
de baixa qualidade e esta tendência é acentuada durante as crises
económicas, como a da pandemia de covid-19. Desde
2015, a taxa de desemprego dos jovens com menos de 25 anos tem sido
mais do dobro da população em geral e, durante a pandemia, chegou a ser
3,5 vezes superior.Ainda segundo o estudo,
existe um "desfasamento entre as competências dos jovens trabalhadores e
as profissões que exercem", com cerca de 30% dos graduados, dos 25 aos
34 anos, a serem considerados sobrequalificados para a profissão que
exercem.