Jovens agricultores reclamam apoios imediatos e nova estratégia para os cereais
2 de jul. de 2024, 11:07
— Lusa/AO Online
“Importa,
no curto prazo, atuar ainda nesta campanha, com apoios suplementares
devido aos preços pagos ao produtor, e no médio e longo prazo, redefinir
a estratégia para o cultivo de cereais em Portugal”, sustenta a
associação em comunicado.Segundo a AJAP, o
preço estimado para o trigo e cevada na atual campanha “pode vir a ser
mais baixo do que antes da invasão Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de
2022”, o que representa “um cenário arrasador para os produtores", já
que "todos os custos dos fatores de produção dispararam devido à
inflação e à guerra”. “O choque inicial de
aumentos foi brutal, mas o que é certo é que, aos dias de hoje, a média
do aumento dos preços dos fatores de produção, nomeadamente os mais
utilizados, ainda se cifra na casa dos 30%”, enfatiza, concretizando
estarem em causa desde os combustíveis à eletricidade, máquinas,
fertilizantes, produtos fitofarmacêuticos, sementes e mão de obra. Embora
reconheça que “a Europa deve, obviamente, apoiar a Ucrânia”, a AJAP
nota que a “entrada maciça” de cereais daquele país “a baixo custo,
também por via da diminuição de tarifas ou até mesmo a sua inexistência,
não deveria afetar e agravar, como está a acontecer, a situação já de
si débil que os agricultores produtores de cereais europeus têm passado e
estão a atravessar”.Neste contexto, a
associação alerta que o novo Governo em funções tem de traçar uma
estratégia “realista e exequível” para os cereais em Portugal, “sob pena
de os agricultores continuarem a abandonar o seu cultivo, acentuando-se
o decréscimo nas áreas de produção”.Paralelamente,
defende que o percentual para o autoaprovisionamento em Portugal de
cereais deve ser “ajustado a números devidamente estruturados e assentes
em medidas de políticas acordadas entre as principais forças
políticas”.De acordo com os dados da AJAP
os cereais equivalem a 3,5% da produção agrícola nacional, representando
o milho em grão a componente com maior peso na produção (56%), seguida
do trigo (19%) e do arroz (16%).Em termos
regionais, na produção de cereais destaca-se a região do Alentejo (63%)
e, depois, a região Centro (22%), “não se verificando grandes alterações
desde 2005, com exceção para o milho, que, no caso do Alentejo, por via
do Alqueva, tem aumentado a área de cultivo”.Assim,
em termos de área, o Alentejo representa 95% trigo duro nacional, 73%
do trigo mole, 80% da aveia, 89% da cevada e 12% do total nacional da
área de milho.