Jovem de 13 anos torna-se protagonista de Conferência

Conferência Internacional sobre Sida

4 de ago. de 2008, 22:02 — Lusa / AO online

"Tenho a minha mãe e o meu pai que vivem também com o VIH. O meu pai tem várias doenças relacionadas com a sida. Está cego e em cadeira de rodas e é muito difícil para mim vê-lo assim", afirmou Karen Dunaway González, num discurso inaugural da conferência, citado pela agência EFE.     Funcionando como uma espécie de representante da juventude, Karen pediu aos governos mundiais para escutarem e terem em conta as "opiniões e necessidades" futuras das crianças e jovens portadores de VIH/sida.     "Nesta etapa da nossa vida em que estamos a descobrir o corpo e a experimentar novos sentimentos, é necessário que possamos contar com informação sobre a nossa sexualidade e as mudanças que ocorrem no nosso corpo", afirmou a jovem, acrescentando que sonha com um futuro "com oportunidades para os mais pobres e vulneráveis e sem estigma nem discriminação".     Referindo-se aos sonhos e aspirações dos jovens, sublinhou que só será possível alcançar um futuro risonho com "cuidados e atenção" e com as necessidades de medicamentos asseguradas.     "Alcançar essas metas só será possível (...) quando nos aceitarem nos centros educativos e quando nos derem a oportunidade de crescer num ambiente sem violência, estigma e discriminação", acrescentou.     "Muitos de nós queremos ser artistas, médicos, maestros, até casar-nos e ter filhos. Eu quero ser cantora e estou a estudar muito para alcançar esse sonho", disse ainda a jovem, que é apoiada pela UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância.     Durante os próximos cinco dias, mais de 20 mil peritos, autoridades e representantes de doentes debatem na capital mexicana os avanços e desafios da luta contra a sida, numa reunião cujo tema principal é "Acesso Universal, Já".     Na inauguração da conferência, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon exortou os países mais desenvolvidos a contribuírem com "fundos de longo prazo" e mais reforçados para vencer a epidemia da sida, que afecta cerca de 33 milhões de pessoas em todo o mundo.