Jovem com problemas de saúde mental agride funcionária com faca
Hoje 09:21
— Filipe Torres
Uma menor com problemas de saúde mental, acolhida no Lar Internato
Feminino do Centro Bem Estar Jacinto Ferreira Cabido, na Ribeira Grande,
agrediu, na semana passada, duas funcionárias, uma delas com uma faca,
provocando ferimentos em várias zonas do corpo.Segundo a queixa
que chegou ao Açoriano Oriental, duas jovens gémeas, ambas com
deficiência, apresentam frequentemente comportamentos violentos,
causando perturbação na instituição e na vizinhança. Mas, na semana
passada, a situação chegou ao extremo de as agressões terem causado
ferimentos a duas funcionárias, uma delas quando tentou impedir a jovem
de continuar as agressões com uma faca.Perante a denúncia, o
Açoriano Oriental contactou o presidente da direção da instituição que,
só após muita insistência, remeteu explicações, para a vogal da direção.Ontem,
em declarações ao Açoriano Oriental, Bernardete Couto, em representação
do Centro Bem Estar Jacinto Cabido, explicou que a situação ocorreu
após a jovem ter reagido mal, quando durante uma refeição foi
contrariada e atacou uma funcionária com uma faca - que não é uma faca
“afiada” com características mais perigosas, ressalvou.Bernardete disse ainda que a funcionária esteve de baixa e está agora no gozo de férias. Segundo
referiu, neste lar, estão duas jovens gémeas que têm comportamentos
violentos; duas gémeas mais velhas que estão na instituição há anos e
têm necessidades complexas; e uma jovem que não apresenta qualquer
problema semelhante.As duas jovens gémeas estão acolhidas no Centro
de Bem Estar Jacinto Cabido há cerca de três anos, e, segundo a
responsável, “sempre” tiveram comportamentos considerados complicados,
“mas agora a situação está a agravar-se”, referiu ao Açoriano Oriental,
acrescentando que “a idade avança, elas ficam mais fortes e a
estrutural corporal é outra”. Salientou, contudo, que os episódios
anteriores tinham sido ocorrências mais ligeiras e que nunca tinham
ocorrido agressões com facas.Questionada sobre a continuidade das
duas jovens gémeas na instituição, Bernardete Couto afirmou que, desde
julho, a instituição tem recebido a informação de que as duas jovens
deverão ser colocadas noutra instituição. Contudo, não existe ainda uma
data concreta para a sua transferência.“Não sabemos se é amanhã ou
em dezembro. Não sabemos de nada”, afirmou a entrevistada. “Segundo
consta, não há instituições para aquela situação cá nos Açores”,
prosseguiu.Relativamente às restantes jovens, Bernardete realçou que
continuam na mesma instituição que as duas gémeas, acrescentando que
não há possibilidade de separação. A entrevistada adiantou, por
outro lado, que também as duas gémeas mais velhas com necessidades
complexas aguardam transferência para outra instituição, enquanto a
outra jovem fica assustada quando estes episódios acontecem.Bernardete
afirmou que há queixas dos vizinhos devido aos comportamentos das duas
jovens, que costumam gritar frequentemente e vão para as janelas,
causando transtorno na vizinhança.Caso já foi remetido ao Ministério PublicoContactado
pelo Açoriano Oriental, o Instituto de Segurança Social dos Açores
(ISSA) referiu que acompanha a situação em causa no âmbito das suas
competências e em articulação com as entidades competentes.“Sempre
que ocorreram incidentes relevantes, os mesmos foram reportados ao
Tribunal pelos técnicos da EMAT do ISSA, nos termos legalmente
aplicáveis e no respeito pelo superior interesse das jovens”, explica o
ISSA.Sobre o episódio mais recente, o ISSA adiantou que a situação
foi igualmente comunicada ao Tribunal, aguardando-se, neste momento, o
respetivo parecer/decisão relativamente às medidas a adotar.Queixa apresentada esta semanaA
Polícia de Segurança Pública (PSP) não tinha recebido na sexta-feira
passada qualquer queixa, segundo a informação dada então ao Açoriano
Oriental. De acordo com a informação disponibilizada ontem por Eurico
Machado, porta-voz da PSP nos Açores, foi só, nesta semana, que a
queixa foi formalizada.A PSP adianta que, antes deste episódio,
haviam ocorrências de casos pontuais sem esta gravidade, acrescentando
que já elaborou a respetiva participação criminal. “O expediente foi
comunicado de imediato ao Ministério Público, no qual o processo seguirá
os trâmites legais”, explica-se. O caso está, neste momento, a ser investigado.