Josep Borrell chega à China para abordar comércio, guerra e preparar cimeira
12 de out. de 2023, 11:57
— Lusa/AO Online
A visita acontece
poucos dias depois do início da guerra entre Israel e o movimento
islamita Hamas, sobre a qual Josep Borrell convocou uma reunião de
emergência com os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus.A China apelou a todas as partes para um “cessar-fogo”.“Acabo
de aterrar na China para co-presidir ao diálogo estratégico UE - China
com o meu homólogo, o ministro Wang Yi”, afirmou Josep Borrell, através
da sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter).A
visita foi adiada por duas vezes. Em abril, o chefe da política externa
da UE teve que cancelar a deslocação após ter testado positivo para a
covid-19. Em julho, a China cancelou subitamente a visita, numa altura
em que o anterior ministro dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, deixou
de ser visto em público.A deslocação deve
prolongar-se até sábado e constitui uma oportunidade para abordar as
relações bilaterais, questões internacionais e o comércio.Segundo a União Europeia, a visita “deve conduzir a uma cimeira UE - China a realizar ainda este ano”.As relações sino-europeias atravessam um período difícil desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.A
China afirmou ser neutra no conflito, mas mantém uma relação "sem
limites" com a Rússia e recusou-se a criticar a invasão da Ucrânia.
Pequim acusou o Ocidente de provocar o conflito e "alimentar as chamas"
ao fornecer à Ucrânia armas defensivas.Bruxelas
está a tentar conciliar o objetivo de reduzir dependências económicas
face ao país asiático com a manutenção de laços sólidos em matéria de
comércio, clima e Direitos Humanos.A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, delineou uma
estratégia para reduzir riscos no comércio com a China. As empresas
ocidentais podem fazer negócios com o país asiático, mas com algumas
salvaguardas: vetar a venda de tecnologias críticas com potenciais
utilizações militares e reduzir dependências nas cadeias de
abastecimento.O comércio bilateral ascendeu a 856,3 mil milhões de euros, em 2022.“A
China congratula-se com a visita do Alto Representante Borrell, que vai
dar novo ímpeto aos esforços conjuntos das duas partes para enfrentar
desafios globais e manter a paz e a estabilidade mundiais”, afirmou hoje
Wang Wenbin, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.“Numa
altura em que a situação internacional é instável e os desafios globais
se multiplicam, só a solidariedade e a cooperação permitirão à
comunidade internacional enfrentar estas questões de forma mais eficaz",
sublinhou Wang Wenbin, em conferência de imprensa.“Enquanto
duas grandes forças mundiais, dois grandes mercados e duas grandes
civilizações, a China e a Europa têm vastos interesses comuns”, afirmou.Bruxelas
iniciou também uma investigação sobre subsídios atribuídos pelo Governo
chinês aos fabricantes de veículos elétricos, visando defender a
indústria europeia face à venda de automóveis “a preços artificialmente
baixos” nos mercados mundiais.O ministério
do Comércio chinês manifestou, na semana passada, firme oposição,
acusando a investigação de ter como base “suposições subjetivas, carecer
de provas suficientes e ser contrária às regras da Organização Mundial
do Comércio”.No início de outubro, a UE
também apresentou uma lista de áreas estratégicas que vão ter de ser
defendidas contra Estados rivais, como a China, nomeadamente o setor da
inteligência artificial.Citado pela
imprensa oficial chinesa, Cui Hongjian, professor da Academia de
Governação Regional e Global da Universidade de Estudos Estrangeiros de
Pequim, disse que a China espera que Borrell esclareça o conceito de
“redução dos riscos” no comércio bilateral.