José Sócrates garante que mãe lhe deu 450.000 euros para viver
Operação Marquês
15 de jul. de 2025, 17:38
— Lusa/AO Online
O chefe de Governo de março de 2005 a
junho de 2011 respondia, no quinto dia do julgamento da Operação
Marquês, a perguntas de enquadramento do procurador Rómulo Mateus sobre a
sua situação pessoal e profissional entre deixar de ser
primeiro-ministro e o seu início de funções na empresa Octapharma, em
fevereiro de 2013, com uma remuneração inicial mensal de cerca de 12.500
euros."Quando saí do Governo, a primeira
coisa que fiz foi pedir um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos. Pedi
150.000 euros para ir viver para Paris [França] e estar um ano sem
trabalhar", começou por explicar, precisando que a mudança, na qual o
filho mais velho o acompanhou, se destinou a frequentar um mestrado em
Teoria Política.O dinheiro terá dado para
viver "durante um ano", até que, "no final do ano letivo de 2012", a mãe
decidiu vender o apartamento em que vivia no centro de Lisboa e
mudar-se para uma outra casa que tinha em Cascais.Segundo
José Sócrates, o imóvel foi vendido por 600.000 euros a Carlos Santos
Silva, "que se dedicava a isso", empresário e considerado um dos
testas-de-ferro do ex-governante.Deste montante, 450.000 euros foram, afirmou, entregues pela mãe ao antigo chefe de Governo, porque não tinha rendimentos."De
onde é que veio o dinheiro para viver? Da venda da casa da minha mãe.
Porque o meu irmão tinha acabado de falecer e ela estava zangada com a
família do meu irmão", explicou comovido, no momento de maior exaltação
de hoje, José Sócrates, salientando que vai provar que, na década de
1980, a progenitora herdara uma fortuna de "um milhão de contos" (cinco
milhões de euros).O antigo
primeiro-ministro, de 67 anos, está pronunciado (acusado após instrução)
de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente,
recebido através de testas-de-ferro dinheiro para beneficiar em dossiês
distintos o grupo Lena - para o qual Carlos Santos Silva trabalhava -, o
Grupo Espírito Santo (GES) e o empreendimento Vale do Lobo, no Algarve.O processo conta, no total, com 21 arguidos, que respondem globalmente por 117 crimes económico-financeiros.O
julgamento começou em 03 de julho no Tribunal Central Criminal de
Lisboa e prossegue a 02 de setembro, com a continuação do interrogatório
a José Sócrates.Os arguidos têm, em geral, negado a prática de qualquer ilícito.