José Sócrates considera "histórica" condenação do Estado
Operação Marquês
Hoje 11:33
— Lusa/AO Online
Segundo a
sentença do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, datada de
sábado, o montante visa compensar o antigo chefe de Governo pelos danos
sofridos em virtude da "divulgação de informações sujeitas a segredo de
justiça" por órgãos do Estado durante o inquérito."É
a primeira vez que o Estado é condenado por violação do segredo de
justiça. [...] É, portanto, uma sentença histórica", afirmou José
Sócrates, numa declaração aos jornalistas na Ericeira (Mafra), onde
reside, transmitida pela Sic Notícias e pela RTP Notícias.Em
causa está o conhecimento por órgãos de comunicação social de que José
Sócrates seria detido em novembro de 2014 no aeroporto de Lisboa, como
acabaria por acontecer, e dos atos de que este era suspeito, noticiados
numa altura em que só tinham acesso ao processo "o juiz de instrução
criminal, a Autoridade Tributária e o Ministério Público".Para
a juíza, "embora não se tenha apurado quem foi o concreto responsável"
pelas fugas de informação, "é de intuir" que, estando à data o inquérito
sujeito a segredo de justiça interno, estas "tenham partido de alguém
que se movia no interior da investigação".Tais
"violações ao segredo de justiça", sustentou Daniela Santos Costa,
"representaram uma clara diminuição das garantias de defesa" de José
Sócrates e constituíram "uma afronta à reserva da vida privada do autor,
ao seu bom nome, honra e reputação pública enquanto antigo chefe de
Governo português"."Aquelas pessoas
comportaram-se como criminosos - pessoas a quem entrega a sua liberdade,
a defesa da lei - comportaram-se como criminosos, querendo fazer, no
fundo, um processo paralelo, que fosse julgado nos jornais e nas
televisões, sem direito a defesa", reagiu hoje o ex-governante.A
ação, intentada em fevereiro de 2017 por José Sócrates, foi julgada em
15 e 16 de maio de 2026 e o antigo primeiro-ministro pretendia ser
indemnizado num total de 205 mil euros, por má administração da justiça e
violação do direito a uma decisão num prazo razoável.Quanto a esta última questão, o Estado português foi absolvido.Questionado
sobre a diferença entre o montante que pedia e o que, caso a sentença
transite em julgado, irá receber, o ex-governante socialista rejeitou
que o caso fosse "sobre dinheiro"."Acha
que isto é sobre dinheiro? Acha que eu estou preocupado com o dinheiro? A
minha intenção, ao sublinhar esta sentença, é o seu caráter simbólico, é
a condenação do Estado", insistiu.O
inquérito do processo Operação Marquês foi aberto em 2013, passou a ser
do conhecimento dos arguidos em novembro de 2014 e foi encerrado em
outubro de 2017, com a dedução pelo Ministério Público da acusação
contra José Sócrates e outros arguidos.Depois
de uma fase de instrução que se prolongou por mais de dois anos, o
julgamento do antigo chefe de Governo e outros 20 arguidos por corrupção
e outros crimes económico-financeiros começou em 03 de julho de 2025 no
Tribunal Central Criminal de Lisboa, faltando ouvir dezenas de
testemunhas.