José Manuel Pureza diz que Fernando Alexandre não tem condições para ser ministro da Educação
Hoje 16:42
— LUSA/AO Online
“Alguém tem de ser adulto na sala e alguém tem
de dizer aquilo que é evidente: Fernando Alexandre não tem condições
para ser ministro da Educação. Não é agora que eu o estou a dizer, já o
disse quando esta situação se mostrou tão evidente”, afirmou o dirigente
do Bloco de Esquerda, em declarações aos jornalistas, na ilha Terceira,
nos Açores.O ministro da Educação,
Fernando Alexandre, admitiu que as pautas dos exames nacionais do
ensino secundário poderão não ser afixadas na sexta-feira, conforme
previsto, se ainda houver provas por classificar."Há
sempre riscos, claro. Enquanto eu não tiver as provas todas corrigidas,
claro que há riscos", disse Fernando Alexandre, em declarações aos
jornalistas à margem do Encontro Ciência e Inovação 2026, que está a
decorrer no Centro de Congressos de Lisboa.Segundo
o ministro, estão classificados 99,3 dos itens, mas as principais
dificuldades mantêm-se nas disciplinas de Português e Matemática.Fernando
Alexandre justificou o atraso com a dificuldade em recrutar professores
para classificar os exames nacionais de algumas disciplinas, relatada à
tutela pelo Júri Nacional de Exames, e apelou, por isso, à
disponibilidade dos docentes.Questionado
sobre a possibilidade de a publicação dos resultados dos exames não
ocorrer no dia previsto, o coordenador do Bloco afirmou que o ministro
da Educação se embrulhou “numa trapalhada infindável” com a correção dos
exames.“É muito próprio de uma abordagem
liberal ao Estado, que é a de lançar o caos e depois dizer que há um
caos e que, portanto, tem que se validar as medidas de privatização ou
de natureza excecional”, acusou.José
Manuel Pureza referiu que o ministro “fez depender a sua sobrevivência
política” do cumprimento de um prazo, mas agora vem dizer que “o prazo
imperativo, sacrossanto, que tinha estabelecido ao país, afinal não se
vai cumprir”.O dirigente do BE considerou,
por outro lado, “absolutamente ofensivo” quando se alegou que o atraso
“se deve a resistências dos professores”.“O
Governo sabia que este sistema não funcionava, porque há poucos meses
houve uma prova-piloto de filosofia em que foram lançados inúmeros
sinais de alerta sobre o não funcionamento da correção de provas
digitalizadas. O Governo não quis saber de coisa nenhuma, não
deu resposta aos sinais de alerta”, criticou.José
Manuel Pureza defendeu que a única conclusão a tirar deste processo é
que “quem governa o Ministério da Educação está a desgovernar o
Ministério da Educação”, acrescentando que “isso é mau para o país”.Pela
primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a
ser avaliados em formato digital, mas o processo tem registado falhas
técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI já tinha
adiado, em quatro dias, os prazos inicialmente previstos.As
classificações dos mais de 300 mil exames realizados pelos alunos dos
11.º e 12.º anos deveriam ficar concluídas na terça-feira, para que as
pautas fossem afixadas na sexta-feira, mas o ministério decidiu dar mais
um dia aos professores para terminar o trabalho.