José Manuel Araújo ambiciona mais e melhor para o Comité Olímpico de Portugal
22 de nov. de 2024, 12:00
— Lusa/AO Online
Assumindo estar “muito motivado
para este momento”, o atual secretário-geral do COP recordou a sua
caminhada como “dirigente desportivo voluntário”, antes de elencar os
motivos que o fizeram avançar para a corrida à presidência do organismo.“Os
bons resultados desportivos e a experiência da administração, que
colocam esta reputação do comité em níveis muito elevados, não podem
criar a sensação de que está tudo feito. É preciso ter ambição para
subir patamares, elevar fasquias, encarar novos desafios”, defendeu.Araújo
explicou que decidiu candidatar-se “por muitas razões”, a primeira das
quais a sua experiência “na gestão do Comité nestes últimos anos”.“Sei
muito bem o que custou chegar aqui. Também sei que é muito fácil – e
rápido - perder o que se conquistou. Porque sei que comigo a autonomia e
independência do Comité são princípios que defendem esta instituição de
influências externas, sejam de que origem forem”, vincou. Preferindo
“falar mais do futuro do que do passado”, apesar de se orgulhar dele, o
lisboeta de 60 anos insistiu querer “fazer mais, muito mais no ciclo
que vai começar agora e que vai terminar em Los Angeles2028”, depois de
Portugal ter alcançado em Paris2024 a sua a melhor prestação de sempre,
“com um histórico de resultados absolutamente incomparável”. “Esta
candidatura será sempre de proximidade. É intransigente nos princípios e
aberta ao diálogo. Estará focada no apoio aos atletas, aos treinadores,
às federações, reforçando as condições financeiras para todos”,
comprometeu-se.Com mais recursos
financeiros, acredita que haverá maior investimento e execução do
Programa Esperanças Olímpicas, que pode ser reforçado nomeadamente com
um programa de Deteção e Desenvolvimento de Talentos à escala nacional,
antecipando ainda um reforço do modelo de ligação e parceria com as
federações, que incluirá a promoção de cimeiras de presidentes.“O
COP tem de assumir um papel ativo no desenho do modelo de desporto em
Portugal. A ação da nossa equipa, independente e imparcial, tem de
resultar em alterações legislativas e consequentes medidas que
concretizem a visão de um desporto reconhecido social e politicamente. E
falo de dois exemplos muito claros: a alteração do estatuto do mecenato
desportivo e do estatuto do dirigente voluntário associativo”,
acrescentou.Araújo quer aproveitar a
reputação que o COP tem para fazer “uma política mais assertiva” na área
da marca, de modo a garantir mais “recursos a distribuir pelos atletas,
pelos treinadores e pelas federações”, mas também reforçar a
comunicação do organismo, de modo a elevar “ainda mais o desporto
nacional na agenda política e mediática em Portugal”.“Em
termos internacionais, move-me a ambição muito específica: voltarmos a
ter um membro do Comité Olímpico Internacional de nacionalidade
portuguesa. É fundamental que aconteça”, notou.Secretário-geral
do COP desde março de 2013, nos três mandatos da presidência de José
Manuel Constantino, José Manuel Araújo foi diretor de informação e
cultura da Assembleia da República.No
dirigismo desportivo nacional, presidiu à Mesa da Assembleia Geral (MAG)
da Federação de Ginástica de Portugal (FGP), entre 2004 e 2012, tendo
ainda integrado o Conselho Nacional do Desporto (2011 a 2013) e o
Conselho de Arbitragem Desportiva do Tribunal Arbitral do Desporto (2015
a 2023).Internacionalmente, foi o
primeiro português eleito para a Comissão Executiva dos Comités
Olímpicos Europeus (COE), para o mandato entre 2021 e 2025, presidindo
ainda à Comissão União Europeia e Relações Internacionais dos COE (desde
2021) e à Comissão Festival Olímpico da Juventude Europeia (2017 a
2021).“Estou certo que nos próximos meses
muito se vai falar de eleições, mas uma coisa é certa: eu sou o primeiro
candidato a fazer a apresentação pública da candidatura, tal como
estive, desde a primeira hora, no trabalho que entregámos ao país ao
longo dos últimos três ciclos olímpicos”, recordou.Disponibilizando-se
para debates com os restantes candidatos já anunciados – Laurentino
Dias, Jorge Vieira e Alexandre Mestre -, Araújo notou que “continuar um
legado de uma década só fazia sentido se tivesse vontade e sentisse os
apoios”.“O meu compromisso é com o
desporto e a minha vontade é enorme”, concluiu, diante de uma plateia
onde estavam vários responsáveis federativos e o antigo presidente do
COP, Vicente Moura. Entre os presentes
contavam-se representantes das federações de andebol, voleibol,
ginástica, desportos de inverno, tiro, tiro com armas de caça, campismo e
montanhismo, padel, escalada, filatelia e ainda da Confederação de
Treinadores.As eleições do organismo
olímpico, liderado por Artur Lopes desde a morte de José Manuel
Constantino, em agosto último, realizam-se em março de 2025.