José Cardoso vai propor segunda volta para evitar “liderança fragilizada”
IL
16 de jan. de 2023, 07:21
— Lusa/AO Online
O
conselheiro nacional José Cardoso vai disputar no próximo fim de semana
a liderança liberal com os deputados e dirigentes Rui Rocha e Carla
Castro e adianta à agência Lusa a forma como irá tentar que seja
possível uma segunda volta nestas eleições.“Vou
apresentar um regimento alternativo, porque a convenção é o órgão
máximo do partido, portanto, tem, por maioria de razão, a palavra final
na forma como é que quer conduzir o processo da sua convenção”, explica.Em
novembro, o Conselho Nacional que marcou a convenção e determinou o seu
regimento recusou esta proposta, mas o candidato considera que como
este órgão “inclui os votos da comissão executiva”, a votação “acaba por
estar inquinada”.“A segunda volta permite
que pessoas votem em ideias e não em calculismos e num partido que diz
que é um partido das ideias não posso imaginar outra ideia que não seja
ter uma segunda volta”, desafia.De acordo
com José Cardoso, esta “está contemplada nos dois maiores partidos
portugueses” porque “ninguém quer um líder eleito com 30% ou com 40%” já
que isso, “mais tarde ou mais cedo, dá asneira”.“O
partido precisa de solidez para aproveitar a falta de eleições
legislativas nos próximos três anos para construir algo sólido. Duvido
que o faça com uma liderança fragilizada”, defende.Na
análise do candidato, “vale a pena insistir” na segunda volta e esta
irá “beneficiar quem ganhar porque vai-lhe dar a solidez do resultado e
assim terá a capacidade de fazer com tranquilidade aquilo que andou a
dizer”.Já sobre a situação política
nacional e questionado sobre a forma como primeiro-ministro se tem
referido à IL, o conselheiro nacional começa por sublinhar uma postura
que denota “falta de respeito até pelos próprios cidadãos”.Mas
há uma questão política que José Cardoso assinala, desde logo porque “o
socialismo tem andado a navegar e a passear por Portugal sem uma
verdadeira oposição” e é agora a IL que está “a tocar na ferida” e que
vai fazer com que as pessoas percebam que o PS “não tem solução”.Para
o liberal, o seu partido não se devia ter deixado enredar nos “chavões
do neoliberal ou dos meninos ricos da Lapa para quem a redução dos
impostos é tudo”, algo que o partido não é porque a “grande maioria dos
membros são trabalhadores por conta de outrem”.Já
sobre o Chega, José Cardoso ressalva que é um erro ostracizar o partido
de André Ventura não só porque é isso que o alimenta, mas também porque
“as pessoas só estão a manifestar-se em partidos populistas ou
extremistas porque os partidos moderados falharam”.No
entanto, é evidente para o liberal que o seu partido não pode governar
com o Chega porque baseia as suas “decisões em ciência, em factos, em
práticas, em bons exemplos europeus” e o partido de Ventura “em
populismo, espuma dos dias e conversa quase de café”.Sobre
o acordo nos Açores, o candidato deixa claro que a IL fez um acordo com
o PSD e com mais ninguém, tendo sido depois os sociais-democratas que
se entenderam com o Chega.“Se a Iniciativa
Liberal conseguir fazer acordos parlamentares ou de governo com
partidos moderados que não sejam estatizantes nem populistas e que
contribua para um caminho mais liberal que, no fundo nós acreditamos e
lutamos, eu acho que deve fazê-lo”, disse.