Jornalismo regional precisa de mais apoios e mais profissionais
1 de mai. de 2023, 00:00
— Nuno Martins Neves
Foram três dias em que o jornalismo açoriano esteve em introspeção e
análise no I Congresso dos Jornalistas dos Açores e as suas conclusões
apontam para uma classe onde escasseiam profissionais e abunda
precariedade que compromete o seu papel de informar e escrutinar os
poderes.A presidente da direção regional do Sindicato dos
Jornalistas, Marta Silva, encarregou-se de ler as conclusões dos seis
painéis do congresso, onde a falta de apoios e condições foi uma
constante.Sobre a comunicação privada, a situação frágil por quebra
de receitas e aumento dos custos de produção “pede” por apoios mais
robustos. O Promédia foi considerado desajustado, sendo necessários
novos mecanismos, como “incentivos à leitura, isenções fiscais ou regras
de mecenato específicas para as empresas que investem em publicidade”.Quanto
ao Serviço Público, a maior crítica foi ao conformismo com a agenda
política por parte dos jornalistas, bem como a falta de renovação dos
recursos humanos à custa da precariedade e baixos salários, razões que
“minam a sua credibilidade e relevância”. Foi ainda concluído que a
rádio e televisão pública dos Açores deve ter um modelo de financiamento
diferenciado em relação à Madeira, tendo em conta os sobrecustos que
advém da dispersão geográfica.Relativamente o ensino e o mercado
laboral, o congresso assinalou que os licenciados têm vantagem sobre os
não qualificados, em termos de empregabilidade, segundo estudo da
Universidade dos Açores. Foi ainda revelado um panorama de exaustão
emocional e patologia da sobrecarga do trabalho, pelos dados do
inquérito às condições de trabalho dos jornalistas.O combate à
desinformação, numa era de emergência da Inteligência Artificial, exige
dotar de melhores condições os jornalistas, que enfrentam redações
reduzidas, excesso de trabalho, baixos salários e precariedade laboral,
mas também uma aposta na literacia para os media.Para incrementar o
jornalismo de investigação na Região, a criação de um consórcio de
jornalistas foi uma das soluções apontadas para que este tipo de
jornalismo ganhe “raízes e escala”.Quanto ao futuro do jornalismo, o
acesso à informação deve ser “aberto e livre”, não podendo ser um
benefício de classe e o jornalismo não pode ser feito à custa das
condições de trabalho.“No mínimo, este Congresso conseguiu colocar o
jornalismo, na Agenda mediática durante uma semana. Coisa rara! No
máximo, ainda é cedo para conhecer o alcance”, finalizou Marta Silva.