Jorge Rita aprova reconversão de leite para carne mas em todas as ilhas
Hoje 17:11
— Lusa/AO Online
“Eu não posso
votar a favor, como presidente da Federação, que se cinja este modelo
apenas a São Jorge, quando outras ilhas também precisam de reconversão
das suas explorações. A minha opinião é de que sim, que se faça, mas
abrangente a mais ilhas”, insistiu Jorge Rita, ouvido na Comissão
de Economia da Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.A
audição do presidente da FAA surge na sequência de uma proposta
apresentada pelo deputado do CDS-PP, Luís Silveira, que propõe ao
Governo Regional a “urgente” atribuição de direitos individuais de
prémios à vaca aleitante (gado de carne), às explorações agrícolas da
ilha de São Jorge, tendo em consideração critérios socioeconómicos e
territoriais.A medida surge na sequência
da crise que se vive atualmente nas cooperativas agrícolas de laticínios
de São Jorge, que estão a braços com excesso de leite e de queijo
armazenado, que não conseguem escoar no mercado nacional e
internacional, o que poderá provocar uma quebra acentuada no preço pago
ao produtor.“O leite de São Jorge tem de
ser, e deve ser, melhor pago do que em qualquer parte do nosso país ou
da nossa região, porque tem fatores de produção diferenciados”,
justificou o parlamentar centrista durante a audição parlamentar,
lembrando que os custos de produção são muito superiores, porque a
transformação do leite em queijo é também muito mais exigente.O
presidente da Associação Agrícola de São Jorge, João Sequeira, também
ouvido hoje pelos deputados, entende que a reconversão pontual da
produção de leite para carne, como propõe agora o CDS, poderá ajudar a
evitar uma crise na produção de queijo na ilha.“Para
chegar a uma situação destas, eu continuo a dizer que alguma coisa se
passa”, desabafou aquele dirigente associativo, adiantando que a
Lactaçores, a empresa que vende os queijos produzidos em São Jorge, tem
de explicar à produção “o que é que o consumidor pretende.João
Sequeira entende que uma das soluções para facilitar o escoamento do
tradicional queijo de São Jorge poderá passar por fabricar queijos “mais
pequenos”, em vez dos tradicionais queijos DOP (denominação de origem
protegida), que pesam entre 8 a 12 kg, mas que são vendidos fatiados
para consumo doméstico.O presidente da
Uniqueijo, a União de Cooperativas de Lacticínios de São Jorge, António
Aguiar, já tinha alertado, em maio, numa outra audição parlamentar, para
a crise que a produção de queijo atravessa, devido ao aumento da
produção de leite, mas também à guerra no Médio Oriente.“Infelizmente,
quando surge uma crise, o queijo de São Jorge, que é um queijo mais
caro, é aquele que sofre logo de início a redução de vendas e estamos a
sentir isso, neste momento, na pele”, desabafou, na altura, aquele
dirigente associativo, acrescentando que os produtores de leite da ilha
já receberam instruções para “não ultrapassarem os montantes de leite
entregues no ano passado”.Atualmente,
existem mais de 200 produtores de leite na ilha de São Jorge que
entregam mais de 31 milhões de litros de leite por ano, em quatro
cooperativas de laticínios, que são canalizados, quase exclusivamente,
para a produção do famoso queijo de São Jorge.