Joe Biden anuncia acordo provisório que evita greve ferroviária nos EUA
15 de set. de 2022, 15:19
— Lusa/AO Online
As empresas ferroviárias e
os representantes sindicais reuniram-se, desde quarta-feira, "durante 20
horas" no Departamento do Trabalho para alcançarem um acordo no sentido
de evitarem uma greve a partir de sexta-feira, que poderia paralisar as
linhas de comboio em todo o território dos Estados Unidos. De
acordo com uma fonte da Casa Branca citada pela Associated Press, que
pediu o anonimato, Biden falou ao telefone com o Secretário do Trabalho,
Marty Walsh, na noite de quarta-feira.O
presidente dos Estados Unidos terá pedido aos negociadores para
consideraram os efeitos que uma greve poderia ter para "as famílias,
agricultores e para os homens de negócios".No
final da reunião terá sido conseguido um acordo provisório que vai ser
agora analisado e votado pelos sindicatos, conseguindo um adiamento da
situação "durante várias semanas". "Os
trabalhadores dos caminhos-de-ferro vão ser aumentados, vão ter
melhorias das condições de trabalho e menos preocupações no que diz
respeito aos custos relacionados com a saúde. Tudo foi conseguido a
custo", disse Biden."O acordo é também uma
vitória para as empresas ferroviárias, que podem recrutar mais
trabalhadores para um setor que vai continuar a fazer parte da espinha
dorsal da economia norte-americana nas próximas décadas", acrescentou.A
ameaça de paralisação dos comboios colocou Biden numa posição política
delicada porque a greve poderia afetar as eleições de meio de mandato.O
chefe de Estado receava que a ausência de um acordo que envolve 12
sindicatos podia provocar a interrupção no transporte de alimentos e de
combustíveis em todo o país.Além das
licenças médicas, regalias em casos de saúde e aumentos salariais para
115.000 trabalhadores ferroviários sindicalizados, as ramificações da
crise poderiam ter-se estendido à rede de transportes que mantém as
fábricas em funcionamento assim como as linhas de abastecimento
alimentar, a nível nacional.Biden
enfrentou o mesmo tipo de situação que afetou o Presidente Theodore
Roosevelt, em 1902, com a crise do carvão e Harry Truman em 1952 com o
aço.As ferrovias foram tão importantes
durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que o chefe de
Estado Woodrow Wilson nacionalizou temporariamente o setor para manter o
fluxo de mercadorias e evitar greves.Na
quarta-feira, aproveitando a oportunidade política, os republicanos do
Senado mobilizaram-se para aprovar uma lei com o fim de impor termos
contratuais aos sindicatos e às empresas ferroviárias no sentido de se
"evitar uma paralisação".Os democratas, que controlam as duas câmaras no Congresso, bloquearam a proposta dos republicanos.Na
Casa Branca, assessores consultados pela Associated Press, nas últimas
horas, não veem "contradição" entre a "ligação" de Biden aos sindicatos e
o desejo de evitar uma greve.Os
assessores referem que a importância que Biden confere aos sindicatos
reflete-se no aumento de 56% nos pedidos de representação sindical junto
do Conselho Nacional de Relações Laborais (National Labor Relations
Board) durante o corrente ano fiscal.