João Rendeiro propõe 2.190 euros para ser libertado sob fiança
BPP
15 de dez. de 2021, 12:44
— Lusa/AO Online
O valor foi avançado
pelo advogado Sean Kelly ao defender o pedido de liberdade sob caução no
tribunal, onde João Rendeiro está presente.Naveen
Sewparsat, procurador da National Prosecuting Authority (NPA),
ministério público sul-africano, já disse que o pedido de liberdade sob
caução deve ser negado a bem da justiça.João
Rendeiro quer voltar para a sua casa na zona de Sandton, em
Joanesburgo, estando disponível para se apresentar junto da polícia
todos os dias e para ser monitorizado, de acordo com o seu advogado.A
defesa contestou os dois mandados de detenção sul-africanos contra João
Rendeiro, alegando não respeitarem a lei, e disse que o ex-banqueiro
está a ser vítima de uma campanha sensacionalista, de uma "caça às
bruxas" e de "ações inconstitucionais" por parte de Portugal."Há uma agenda de o responsabilizar pelo colapso do banco BPP", o que rejeita, disse o advogado Sean Kelly.João
Rendeiro rejeitou ainda a ideia de ser um homem abastado: "nada mais
errado", referiu o seu advogado, dizendo que a maioria dos seus bens
foram congelados pelas autoridades portuguesas e que ficou com poucos
recursos.Alegou não ter assuntos pendentes
com a justiça portuguesa - o advogado até tem um documento das
autoridades portuguesas que o certifica - e planeia gozar tempo de
aposentação na África do Sul, onde quer fazer investimentos."Por
isso contactei a minha advogada June Marks", logo após a chegada à
África do Sul em setembro, referiu o advogado em nome do ex-banqueiro.O
antigo presidente do BPP rejeitou ainda o uso de tecnologia para
encriptar comunicações na entrevista à CNN Portugal, dizendo que usou
apenas o 'software' do seu ipad e um programa de ligação VPN (rede
privada) que se pode adquirir a partir de 12 dólares por mês.Falhas
na documentação, em autenticações e na comparação entre crimes em
Portugal e na África do Sul foram também alegadas pelo causídico.João
Rendeiro queixou-se ainda de outras irregularidades - como por exemplo,
terem sido apreendidos dois ipads e três telemóveis sem mandado para
tal quando foi detido em Durban.A apresentação acabou por ser interrompida ao cabo de 15 minutos devido a uma falta de energia na sala de audiências.Antes,
vários outros problema atrasaram a sessão - que esteve marcada para as
09h00 e que só arrancaria às 12h30.Não
havia eletricidade no primeiro edifício do tribunal de Verulam, houve
uma mudança para as instalações do tribunal de família, mas aqui
faltaram salas e quando as houve surgiram falhas no sistema informático -
"é necessária gravação digital por ser um caso internacional", explicou
um funcionário.À quarta vez, foi escolhida a sala onde a sessão ainda decorre.Naveen
Sewparsat, procurador da National Prosecuting Authority (NPA),
ministério público sul-africano, retomou quando a eletricidade voltou e
refutou as alegações do ex-banqueiro.Depois
de passar em revista todos os processos em Portugal, incluindo as
condenações, disse que o pedido de liberdade sob caução deve ser negado a
bem da justiça, porque Rendeiro quer evitar responder ao que tem de
enfrentar em Portugal.Por outro lado, alegou que de acordo com a entrevista à CNN Portugal, Rendeiro pode ter "tendências suicidas".A entrevista foi também usada pelo procurador para demonstrar como João Rendeiro não quer voltar para Portugal. Para
ele, pode ser fácil "transpor fronteiras", disse, reiterando que pode
ter acesso a avultadas quantias em dinheiro - aliás, sublinhou que foi
detido com muito dinheiro em numerário.Indicou ainda que a Interpol já sabia que tinha dois passaportes em seu nome e dispunha de um terceiro quando foi detido."Partilho do ponto de vista das autoridades portuguesas, há uma forte possibilidade de fuga", resumiu o procurador. A
informação do procurador sobre os passaportes de Rendeiro levou o seu
advogado de defesa a pedir uma pausa para se reunirem, paragem concedida
pelo juiz após a qual a audiência continuará.