João Paulino assume assalto aos paióis e conta pormenores
Tancos
3 de nov. de 2020, 18:04
— Lusa/AO Online
Na segunda sessão de
julgamento que decorre em Santarém, o ex-fuzileiro relatou de uma forma
cronológica, inclusivamente que foi numa noite de difícil visibilidade,
como o assalto foi preparado e executado e no qual participaram os
arguidos João Pais e Hugo Santos, tendo ilibado a participação do outro
arguido - Valter Santos -, que chegou a confessar o crime no primeiro
interrogatório.Questionado sobre porque
foram assaltados aqueles dois paióis {14 e 15], João Paulino
afirmou:”foi por acaso, fomos para o lado esquerda e eram os que estavam
mais junto à rede. Não sabia que material continham, mas eu fui militar
e sabia que os paióis não têm ramos de rosas nem chupas chupas”.O
assalto, segundo Paulino, foi cometido na noite de 27 para 28 de junho
de 2017 por ele próprio e pelos arguidos Hugo Santos e João Pais, após
ter sido feito um primeiro reconhecimento aos paióis por parte dos
arguidos Fernando Santos, António Laranginha e Gabriel Moreira, que
desistiram de participar no furto.João
Paulino confessou que foi ele que cortou a rede, que João Pais tinha o
dispositivo para arrombar fechaduras que Paulo Lemos lhe tinha sugerido e
que Hugo Santos ficava a fazer vigilância.O
processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-ministro da Defesa, o
diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, o
ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão que respondem por um conjunto de crimes
que vão desde terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e
prevaricação até falsificação de documentos, tráfico de influência,
abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida. Nove
dos arguidos são acusados de planear e executar o furto do material
militar e os restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, que se demitiu
do cargo político no seguimento do processo, e os dois elementos da PJM,
da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.