João Medeiros quer viajar dos Açores até ao pódio da 83.ª edição
Volta
5 de ago. de 2022, 16:22
— Lusa/AO Online
Aqueles
que viajarem para São Miguel, nos Açores, poderão, por acaso, enquanto
deambulam pela ilha, deparar-se com um ciclista solitário, sem saber que
aquele miúdo, vestido de branco e vermelho, é, na realidade, o primeiro
açoriano a participar na prova ‘rainha’ do calendário nacional em mais
de três décadas.Num arquipélago sem
tradição no ciclismo profissional, o corredor da LA
Alumínios-Credibom-MarcosCar, que no ano passado sucedeu a Fernando
Ventura como representante açoriano na Volta a Portugal, depois do seu
antecessor ter participado nas edições de 1984, 1985 e 1986, é uma
raridade.“Apesar de ser o único
profissional que tem São Miguel, há mais atletas que também correm
constantemente aqui fora – estou a falar do Luís Cabral e do Romeu Sousa
– e há muitos outros ciclistas, mas, claro, a maior parte do meu treino
é feito sozinho, porque normalmente tenho sempre treinos específicos, o
meu horário não coincide com o deles. Mas também a verdade é que quando
eu começo a ficar mesmo bastante farto de treinar sozinho, mando
mensagem, tenta-se conciliar as coisas”, contou à agência Lusa.João
Medeiros reconhece que a logística de viver nas ‘ilhas’ nem sempre é
fácil, porque tem de apanhar “muitos voos para vir para o continente”. “Por
acaso, o ano passado adotei uma estratégia diferente. Ficava muito
tempo cá, cheguei a ficar um mês, dois meses ‘cá fora’. Era um bocado
massacrante a nível psicológico. Ficava muito no hotel da equipa, entre
casas. Também tínhamos muitas corridas. Este ano, preferi adotar outra
medida e viajo mais vezes. Vou mais vezes a casa para estar com a
família, ter a minha rotina, as minhas coisas”, confessou.A
temporada difícil que passou permitiu-lhe, ainda assim, perceber que o
ciclismo “é mesmo” o que quer fazer. “No final da época, fiz a
retrospetiva do ano e ajudou-me mesmo a perceber o que eu queria. Este
ano, tem sido diferente. Estou sempre focado na corrida, no trabalho, e
acho que tem corrido superbem”, afirmou.Por
sair para treinar sozinho, o jovem de 22 anos vai ajustando as suas
‘obrigações’ de ciclista profissional aos seus ‘timings’. “Às
vezes, estou mais malandro, vou treinar sempre mais tarde. Varia um
bocado. Principalmente quando a época começa, tento treinar mais pelas
11:00, meio-dia, que são as horas que começa a corrida. Acordo, tomo o
pequeno-almoço, faço as minhas rotinas e saio para treinar”, detalhou à
Lusa.Depois de se apaixonar pela
modalidade ainda em criança, por ‘culpa’ do pai, que “andava de
bicicleta” e até criou a Associação de Ciclismo dos Açores, por não
haver “muitas corridas em São Miguel” – “isso ajudou a pegar muito o
bichinho” -, João Medeiros está a viver o sonho de estar na Volta a
Portugal e logo pela segunda vez.“Durante o
ano, tentei estar sempre bem, mas, claro, acho que qualquer ciclista
português, quando faz a antevisão da época, também pensa na Volta como
um objetivo. Venho para aqui com algumas ambições, não escondo que
gostava de estar na luta pela camisola da juventude, porque é o meu
último ano na luta por esta camisola”, revelou.Medalha
de bronze na prova de fundo de sub-23 dos Campeonatos Nacionais e 16.º
classificado no Troféu Joaquim Agostinho, o miúdo da LA
Alumínios-Credibom-MarcosCar acredita que apreendeu bastante na sua
estreia na prova ‘rainha’ do calendário nacional e agora quer mais.“Não
venho a pensar muito nas etapas, vamos ver dia a dia como o corpo
reage, e esperar que no final da Volta esteja lá no pódio”, concluiu.