João Luís Gaspar: Açores precisam de líder com "visão e ambição"
Barómetro da sociedade
27 de jan. de 2024, 10:27
— AO Online
Tem acompanhado este período eleitoral?Dentro do possível tento
acompanhar as intervenções dos principais candidatos através da
comunicação social. Hoje é fácil sermos induzidos em erro pela forma
como a informação nos é transmitida, pelo que procuro construir a minha
opinião com base no discurso dos próprios.Que opinião tem sobre a atual situação política?A
situação política atual é o reflexo de uma sucessão de opções e
decisões, em muitos casos, circunstanciais e erradas. Numa Região com as
especificidades geográficas, demográficas e naturais que todos
conhecemos, e que tem tantas carências sociais e económicas, é
fundamental que os partidos democráticos encontrem pontos de
convergência e garantam a estabilidade governativa necessária para a
execução eficaz dos fundos disponíveis, uma oportunidade única que os
Açores não podem desperdiçar.Quem gostaria que vencesse as eleições?Quem
apresente um líder que demonstre ter perfil de estadista, visão e
ambição. Um líder capaz de definir uma estrutura governativa lógica e
funcional, e de constituir um governo competente. Um líder com peso e
independência para garantir a autonomia regional. De outro modo, seja
com maioria absoluta, com parcerias de oportunidade ou em minoria, os
Açores vão perder o tempo que os açorianos não têm.Qual deve ser a prioridade da governação nos próximos quatro anos?Os problemas são muitos e transversais a várias áreas das políticas
públicas, mas como a pergunta é no singular, relevo a Educação. Sem uma
população instruída e, em particular, sem uma juventude motivada,
envolvida, bem formada e ambiciosa, não teremos futuro. Sem investirmos
na especialização e na requalificação de quadros, e na formação dos que,
por falta de instrução e/ou oportunidades, não têm hoje um papel ativo
na sociedade, não ultrapassaremos os desafios que já se colocam. Sem
adotarmos um modelo eficaz de aprendizagem ao longo da vida e pugnarmos
pela dignidade de cada um enquanto pessoa, não garantiremos um processo
de envelhecimento com qualidade.