João Galamba diz que ciclo de fecho de linhas férreas está a inverter-se
19 de abr. de 2023, 17:20
— Lusa
“Pela primeira vez em muito
tempo, estamos a inverter o ciclo de encerramento de linhas e de redução
de serviço”, afirmou João Galamba no debate pedido pelo PCP sobre a
situação da ferrovia nacional, destacando que à discussão do tema “não é
alheio a centralidade que o Governo tem dado a este setor tão
importante para a vida das pessoas e para o nosso futuro coletivo”.
Entre os projetos lançados pelo Governo, o ministro destacou a
reabertura das oficinas de Guifões, a recuperação de material circulante
e a contratação de novos quadros na CP e na Infraestruturas de Portugal
(IP), sublinhando que foi possível “estabilizar o serviço ferroviário,
reduzir as supressões e acelerar o ritmo” das obras na ferrovia. “Hoje
temos mais de 500 km de linhas ferroviárias em obra, correspondendo a
1.200 milhões [de euros] de obras em curso nas linhas do norte da beira
alta do Oeste, de Évora, de Cascais, de Sines e do Algarve”, enumerou.Contudo,
João Galamba assumiu que há problemas nesta área e trabalho por fazer:
”sabemos que em vários territórios estamos longe de poder oferecer o
serviço ferroviário do que o país precisa”, destancando ainda componente
industrial."Todos estes passos convergem
para que as nossas empresas, a nossa indústria e os seus trabalhadores
tenham a capacidade de fabricar comboios em Portugal e hoje temos todas
as razões para acreditar que essa capacidade existe", frisou.O
deputado Bruno Dias, do PCP, lembrou “os anos em que PS e PSD
alternavam alegremente na destruição da ferrovia nacional, no
encerramento de linhas, na pulverização da CP, na destruição da
Sorefame, na montagem de PPP que exauriram os recursos públicos, na
liberalização da ferrovia a mando dos pacotes ferroviários da EU”. Para
o deputado comunista, os investimentos arrastam-se, os concursos marcam
passo, os financiamentos e os processos de recrutamento são bloqueados
pelo Governo, levando à degradação da ferrovia.“Sucedem-se
atrasos, problemas e incidentes nas intervenções em curso na rede
ferroviária nacional, a suscitar preocupações e perplexidades sobre as
opções que estão a ser seguidas. São inúmeras as situações de comboios
suprimidos por falta de pessoal ou por falha de material circulante”,
afirmou Bruno Dias, acrescentando que as estações estão cada vez mais
desguarnecidas, sem trabalhadores, sem informação afixada ou antecipada
sobre a entrada de comboios. Para o
deputado, muitos dos problemas que a ferrovia tem seriam evitados se não
houvesse uma separação entre CP e IP, defendendo a reconstrução da
REFER ligada à CP.No dia em que foram
conhecidos resultados positivos de 8 milhões de euros em 2022 da CP,
Bruno Dias considerou que “só com uma CP una, pública e nacional será
possível dinamizar uma política de promoção do transporte ferroviário,
incluindo na vertente de construção nacional de material circulante, e
da sua articulação com o equilíbrio territorial e o desenvolvimento do
País”, exortando o Estado a fazer o saneamento financeiro empresa,
“retirando-lhe a dívida que nela parqueou”.