João Almeida é um dos principais candidatos mas não o número um
Vuelta
16 de ago. de 2024, 16:47
— Lusa/AO Online
“Acho que sou um dos
principais corredores para a classificação geral. Não diria que sou o
favorito número um. Há bastantes. Claramente, viemos para aqui com o
objetivo de ganhar a corrida, de discutir a corrida, tanto comigo como
com o Adam [Yates]. Se estivermos no pódio, para mim seria objetivo
concluído, mas queremos sempre apontar para o número um”, declarou.Numa
conferência de imprensa que começou em inglês e prosseguiu em
português, João Almeida tinha começado por dizer que “todos os que estão
à partida [da Vuelta] têm hipótese de ganhar”.“É
a minha primeira vez a fazer Tour-Vuelta, não é fácil de preparar. Não
tive a melhor preparação, mas estamos em boa forma. Estamos confiantes e
faremos tudo para lutar pela vitória. Temos uma grande equipa para nos
apoiar, temos várias ‘cartas’ para jogar. Penso que vamos começar numa
boa posição, temos de ir dia a dia. Qualquer coisa pode acontecer-nos e
às outras equipas. Vamos controlar o que podemos controlar”, avaliou.Notando
que a UAE Emirates entra em qualquer corrida “para ganhar”, o quarto
classificado do Tour2024 nomeou Primoz Roglic, Aleksandr Vlasov, que
pode ser colíder da BORA-hansgrohe, e o campeão em título, o
norte-americano Sepp Kuss (Visma-Lease a Bike), mas considerou que “há
muitos ciclistas que podem lutar por esta Vuelta”.Almeida
desvalorizou ainda as declarações de ‘Rogla’, o tricampeão das edições
de 2019 a 2021 que hoje admitiu não estar totalmente recuperado da
fratura na região lombar que sofreu numa queda na Volta a França: “nos
últimos anos, sempre que falo com ele nas corridas diz que não está a
sentir-se muito bem”.O já histórico
ciclista português – foi o primeiro a acabar no pódio da Volta a Itália,
ao ser terceiro em 2023 – não levanta o ‘véu’ sobre a estratégia da
equipa, dizendo que a prova “pode decidir-se em qualquer dia”, até numa
etapa de vento, e que o calor desempenhará um “papel importante”.“Vamos
ter muita montanha, é a grande Volta com mais metros de desnível
acumulado”, salientou, revelando que gostava de ganhar qualquer etapa
mítica, nomeadamente a de Lagos de Covadonga (16.ª). Para
já, o corredor de 25 anos só está a pensar no contrarrelógio de sábado,
que vai ligar Lisboa a Oeiras ao longo de 12 quilómetros, não
escondendo que gostava de vestir a primeira camisola de líder. “Não
é fácil. Claro que os contrarrelogistas puros têm sempre vantagem num
percurso tão rápido como é. Mas, certamente, vamos dar o nosso melhor,
todos nós, para chegar na melhor posição possível. E, claro, vai ser a
primeira etapa que vai começar já a definir ligeiramente a classificação
geral. Portanto, é um dia importante, em que temos de estar focados.
Tem de ser todos os dias, mas temos de apontar para esse dia [do
‘crono’]”, analisou.Depois de ser quarto
no Tour, de onde trouxe “confiança e experiência”, a trabalhar para
Tadej Pogacar, Almeida garante que nesta Vuelta, em que partilha
liderança com Adam Yates, “o mindset é quase o mesmo” e explica que só
está a participar nesta ‘grande’ por começar no seu país. “A
Vuelta começar cá em Portugal é a principal razão de fazer a Vuelta. Se
calhar, se não começasse cá, teria dado prioridade a outro calendário
para recuperar melhor do Tour e poder preparar-me a 100%. Será muito bom
para o ciclismo português, a Vuelta é uma grande montra para o país”,
defendeu.Sobre o apoio que sentiu na
quinta-feira, na apresentação das equipas junto à Torre de Belém,
anteviu que se vai estender às três etapas portuguesas da 79.ª edição da
prova espanhola, que termina em 08 de setembro, em Madrid.“O
apoio dos portugueses é sempre uma motivação extra. Todas as bandeiras
ao longo da estrada e gritarem o meu nome dá sempre motivação extra.
Sentir esse apoio dos portugueses é muito especial. [A Vuelta] começando
aqui em Portugal, claramente já estava a prever esse apoio. É incrível o
apoio que me dão. Sempre muito agradecido”, vincou.