João Almeida aponta ao Giro com a “pressão boa” de ser líder na UAE Emirates
10 de jan. de 2022, 18:38
— Lusa/AO Online
“O
Giro é o meu grande objetivo. Todas as corridas e preparativos [até lá]
serão focadas no Giro, a que espero chegar na minha melhor forma.
Também quero discutir outras corridas e conseguir bons resultados”,
declarou o ciclista, de 23 anos, em conferência de imprensa virtual, a
partir de Espanha, onde a equipa está concentrada.Depois
de um quarto lugar em 2020 e sexto de 2021, o português volta à ‘corsa
rosa’, em que se mostrou ao mundo do ciclismo, ao serviço da
Deceuninck-QuickStep, que deixou no final do ano passado.Na
UAE Emirates, tem vivido uma “grande mudança”, mas “muito positiva”,
mostrando-se “feliz com a equipa” e em processo de adaptação à formação
dos Emirados Árabes Unidos, pela qual também correm os compatriotas Rui
Costa, Rui Oliveira e Ivo Oliveira.Para
já, e até correr o Giro, que arranca em 06 de maio, o calendário tem
como principais destaques o Paris-Nice e a Volta à Catalunha, corridas
que servirão de preparação, mas nas quais também quer “bons resultados”.O
traçado da primeira grande Volta do ano, entretanto, tem menos
contrarrelógio do que “seria ideal”, admitiu o especialista, “mas é o
que é”.“No final de contas, terá muita montanha. No cômputo geral, as grandes voltas decidem-se nas subidas”, atirou.Depois
de ‘despontar’ em 2020, com 15 dias como camisola rosa da Volta a
Itália, o ano de 2021 do português trouxe as primeiras vitórias entre a
elite, ao triunfar na Volta ao Luxemburgo e na Volta à Polónia e ao
sagrar-se campeão nacional de ‘crono’, entre outros resultados de
destaque.Ainda um ciclista jovem, mostrou
abertura para poder “aprender com todos” os colegas de equipa, sentindo
“muita confiança” depositada nas suas qualidades e elogiando Rui Costa,
com quem tem treinado.Quanto ao esloveno
Tadej Pogacar, que venceu as últimas duas edições da Volta a França e
agora é seu colega de equipa, não poupa nos elogios: É “um dos melhores
ciclistas de sempre, não só do presente”, observou.“Será
um prazer correr com o Tadej. (...) Ele é único. Poder correr e
aprender com ele, estar nesta equipa e também ajudá-lo a vencer
corridas, faz-me sentir bem e motiva-me para o futuro”, admitiu.Ainda
assim, e questionado sobre isso, não revelou se poderá passar pelos
seus planos correr o Tour ao lado do esloveno, mas admitiu que está em
cima da mesa correr também a Volta a Espanha, embora esteja dependente
do desenrolar da temporada.Para já,
sente-se agradado com “os treinos, a nutrição” e toda a envolvente
técnica, nos primeiros tempos com novas cores, e sente-se “a melhorar”,
mesmo que tenha existido uma mudança de “abordagem” a todos os
fundamentos, dada a diferença entre a antiga equipa e a nova.O
sucesso, e o novo papel de destaque na equipa, em que será um líder
assumido por todos, incluindo pelo diretor desportivo, em várias
corridas, a começar pelo Giro, traz “alguma pressão”, ainda mais quando
vem junto com um primeiro ano em novas condições.“É
uma pressão boa, com a qual consigo lidar. Dá personalidade e ajuda a
manter o foco. Temos noção das responsabilidades, do trabalho”,
comentou.A presença de colegas de equipa
portugueses, dos irmãos Oliveira, que também correram pela
norte-americana Hagens Berman Axeon, à semelhança do ciclista das Caldas
da Rainha, a Rui Costa, torna “mais fácil comunicar e trabalhar em
equipa”.“Estamos na mesma página, e é
sempre bom falar português, dá outro ambiente. Mas, no geral, em toda a
equipa, somos todos amigos”, revelou.