Joana Gama e Luís Fernandes abrem em Ponta Delgada festival Walk & Talk
5 de jul. de 2019, 14:55
— Lusa/AO online
“At
the still point of the turning world”, álbum lançado em 2018 pela
editora australiana Room40, é um trabalho para piano, eletrónica e
ensemble, com orquestração e arranjos de José Alberto Gomes. A
obra chega a Ponta Delgada para abrir o programa do festival Walk &
Talk, num espetáculo que conta com a participação do Conservatório
Regional de Ponta Delgada, com um ensemble composto por 14 músicos –
alunos entre os 13 e os 18 anos e professores.À
agência Lusa, Joana Gama explicou que houve necessidade de incluir
professores no ensemble “porque houve questões, até pela particularidade
de ser uma ilha e de não haver tanta oferta em termos de músicos”, um
problema que levou à necessidade de fazer algumas adaptações, como
trocar o fagote pelo saxofone barítono, ou o contrabaixo pelo
violoncelo.A pianista considera que foi
“um bom exercício para as coisas não ficarem fechadas e só em
determinadas circunstâncias é que se podem fazer - e não as coisas
também são permeáveis”.Este é um trabalho
que foi tocado, na estreia, pela Orquestra de Guimarães, pela Orquestra
Metropolitana De Lisboa e por muitas outras, já que a ideia é trabalhar
sempre com músicos diferentes.“Acho que é
mesmo muito importante esta relação com as pessoas locais e as
instituições locais, […] e acho que também é muito importante esta nossa
possibilidade de vir aqui abrir horizonte a estes alunos, porque este
tipo de música que eles vão tocar connosco é muito diferente daquilo que
se ensina aqui no conservatório. (…) Esta ideia de dar e receber é
muito importante. E esta dignidade também para eles de irem tocar ao
Teatro Micaelense e irem fazer o concerto de abertura do festival acho
que é estimulante”, considerou a pianista.O
espetáculo conta com uma componente visual, criada por Miguel C.
Tavares, que também expõe no certame, que é inaugurado hoje e se
prolonga até 20 de julho, com o projeto audiovisual “East Atlantic” que
desenvolveu com José Alberto Gomes, em que, inspirados pela viagem de
Raul Brandão aos Açores, viajam dez dias a bordo de um cargueiro em
direção ao arquipélago.A parceria entre os
músicos e Miguel C. Tavares surgiu de “um convite do Curtas Vila de
Conde para apresentar esta música como contexto de imagem em movimento”,
esclareceu Luís Fernandes.“Na altura o
Miguel Tavares, com quem já tínhamos trabalhado noutros contextos,
alinhou neste desafio e criou vídeos de raiz para cada um dos temas,
vídeos. […] Ele tem uma série de material de vídeo que acaba por
misturar em tempo real para criar este cinema ao vivo, que está
inteiramente relacionado com a nossa música e que é de certa forma algo
parcimonioso na forma como é apresentando. Não há muita diversidade de
material, assim como a nossa música que, na verdade, é muito minimal,
mas, a partir de uma ideia central, desdobra-se de algumas formas muito
subtis durante a duração dos temas”, explicou o músico.Joana
Gama, com experiência na música erudita, e Luís Fernandes, vindo do
universo da música pop rock, enquanto fundador dos peixe:avião,
começaram a trabalhar juntos depois de se terem conhecido numa
iniciativa dedicada a John Cage, em 2013.O
trabalho que desenvolvem há seis anos cruza “dois universos à partida
algo separados, mas que na verdade a História da música prova que têm
andado de mão dada, ao longo das últimas décadas”, afirmou Luís
Fernandes.Depois de três álbuns editados,
trabalham agora em “Textures & Lines”, projeto que desenvolvem com o
grupo de percussão Drumming e que se estreou em abril, no Rivoli, para o
qual já têm data de gravação marcada, avançou o músico.Abrem
esta noite a edição de 2019 do Festival Walk & Talk, que acontece
até 20 de julho, na ilha de São Miguel, com diferentes circuitos de
artes visuais e performativas e várias residências artísticas.