Jerónimo pede mobilização para "fortalecer" partido na conferência de novembro
Avante!
4 de set. de 2022, 20:06
— Lusa /AO Online
“A Conferência Nacional 'Tomar a iniciativa, reforçar o partido, responder às novas exigências' está aí e apelamos à participação de cada um com o seu contributo no debate que se vai seguir”, sustentou Jerónimo de Sousa, nos instantes finais do discurso de quase 45 minutos que encerrou a ‘rentrée’ comunista, na Quinta da Atalaia (Seixal).A justificação para a conferência comunista – a quarta em 101 anos -, que decorrerá entre 12 e 13 de novembro, já estava dada, mas o dirigente comunista reforçou-a: a falta de respostas para os problemas nacionais e o agravamento da situação económico-social do país.Mas o reenquadramento do partido tem igual importância na conferência. Em contexto de maioria absoluta do PS, de agravamento das condições de vida, e com a incerteza quanto ao redesenho do panorama geopolítico internacional, os comunistas “têm de trabalhar para assegurar as tarefas do fortalecimento da organização do partido”, prosseguiu.O dirigente histórico comunista Álvaro Cunhal não ficou de fora da sua intervenção: “dizia ele que o sonho está sempre mais avançado do que a realidade, mas é com a nossa militância que passará do sonho”.Perante os milhares de militantes e simpatizantes da “Festa do Avante!”, Jerónimo de Sousa repetiu o pedido de contributo de todos os comunistas para “dar uma confiante perspetiva de futuro à luta”.“Não nos resignamos, não nos conformamos e não desistimos! Queremos um país mais desenvolvido e mais justo, havemos de construí-lo. Vemos com certeza um futuro melhor”, vincou, palavras que recolheram aplausos da multidão 'vermelha e amarela' que o escutava.O secretário-geral do PCP há 18 anos, o mais longo depois de Álvaro Cunhal, não levantou o véu sobre as temáticas da conferência, mas deixou a mensagem de que a mobilização tem de ser todos os comunistas.Mais do que as críticas ao terceiro Governo de António Costa e a justificação da posição do partido face ao conflito na Ucrânia, o secretário-geral do PCP fez um discurso “para dentro”.Na primeira ‘rentrée’ depois do fim da “geringonça”, Jerónimo de Sousa voltou-se para os militantes, para os “agarrar”, numa altura em que o partido está reduzido a seis deputados na Assembleia da República (tinha 10 na última legislatura) e ainda não conseguiu estancar a “sangria” no plano autárquico.A mensagem foi, pelo menos, recebida com efusividade pelos participantes da “Festa” – expressão utilizada pelos comunistas para designar o certame político-cultural -, que aplaudiram o discurso várias vezes e durante bastante tempo.A “Festa do Avante!” faz-se em casa: a Junta de Freguesia da Amora é comunista, assim como a autarquia do Seixal, que pertence a um distrito predominantemente comunista.Mas Jerónimo de Sousa aproveitou o momento em que comunistas de todo o país e até do estrangeiro estavam no mesmo local para pedir resiliência e um reforço da atividade em tempos que se avizinham difíceis, tal como foi descrevendo ao longo do seu discurso.