Jardim defende Albuquerque e chama "caloiro" a Montenegro
Eleições/Madeira
26 de set. de 2023, 11:32
— Lusa/AO Online
“Sempre
entendi que o que [Albuquerque] queria dizer quando falou em se demitir
era ter um governo de maioria absoluta. A Madeira é um sistema
parlamentar. Eu não sei o porquê de tanto barulho. É verdade que o
resultado da coligação não é famoso, mas não há solução governativa
neste momento sem o PSD”, vincou o presidente do Governo Regional da
Madeira entre 1978 e 2015, na entrevista publicada pelo diário Público.Nas
eleições regionais de domingo a coligação formada por PSD e CDS-PP
obteve 43,13% dos votos e elegeu 23 dos 47 deputados, ficando a um da
maioria absoluta. Jardim diz que não se
deveria ter chegado ao ponto de ter de convidar um deputado eleito por
outra força política que concorreu às eleições para fazer maioria,
nomeadamente Mónica Freitas, do PAN, ou Nuno Morna, da Iniciativa
Liberal. E garantiu ainda não compreender a tirada “Montenegro 1 – Costa
0”, proferida pelo líder nacional do PSD, no discurso de rescaldo das
eleições regionais.Apesar de ver Luís
Montenegro como “uma pessoa intelectualmente honesta”, o antigo
presidente do Governo madeirense considera que o líder nacional dos
sociais-democratas está “a demonstrar ser muito caloiro”, não tendo tido
“um discurso feliz”, porque, no entender de Jardim, nada havia para
festejar.“Não festejou coisa nenhuma
porque não houve vitória. Isto foram as eleições onde todos perderam. É
uma penalização do PSD e do PS. É a revolta da classe média. Esta gente
está farta da falta de coragem de alterar o sistema”, vincou.Alberto
João Jardim considerou ainda que o bloco central do sistema político
português deveria ter “um sentido patriótico” para alterar o sistema
constitucional 50 anos depois do 25 de abril, em vez de “andarem a
brincar aos partidos” com “as palhaçadas que são as propostas de revisão
constitucional” entregues na Assembleia da República.O
antigo líder do PSD/Madeira considerou também humilhante para a região
autónoma a presença de líderes nacionais em eleições regionais e
reivindicou uma autonomia com soluções adequadas, que contemplam
necessariamente a regionalização de Portugal.A
coligação formada por PSD e CDS-PP foi a força mais votada nas eleições
legislativas regionais da Madeira, no domingo, elegendo 23 dos 47
deputados, seguida do PS, que elegeu 11 deputados, tendo perdido oito
face às eleições de 2019, o JPP cinco e o Chega quatro, enquanto a CDU, o
BE, o PAN e a IL elegeram um deputado cada.