Já morreram 33 pessoas por violência doméstica em 2019
22 de nov. de 2019, 15:49
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa na Presidência de Conselho de Ministros, em
Lisboa, para fazer o balanço das medidas apresentadas em agosto de
prevenção e combate à violência doméstica, Mariana Vieira da Silva
revelou que, de janeiro e até ao dia de hoje, tinham sido mortas 33
pessoas em contexto de violência doméstica.Tendo
por base as estatísticas da Polícia Judiciária em matéria de vítimas de
homicídio voluntário consumado em situação de violência doméstica, a
ministra adiantou que entre essas 33 vítimas estão 25 mulheres adultas,
uma criança e sete homens.Antes, a
ministra tinha revelado que até ao final do mês de setembro tinham sido
assassinados 21 mulheres, uma criança e seis homens, o que permite
aferir que no prazo de cerca de um mês e meio morreram mais quatro
mulheres e um homem.“O nosso objetivo é
passar a ter uma publicação trimestral desta informação com um conjunto
de dados”, anunciou Mariana Vieira da Silva.Sobre
esta base de dados, o secretário de Estado Adjunto e da Administração
Interna, Antero Luís, acrescentou que a recolha de informação passará a
ser feita de forma automática entre todos os órgãos de polícia criminal
(OPC), de modo a que haja uma visão integrada do fenómeno da violência
doméstica.A ministra Vieira da Silva
revelou também entre janeiro e setembro deste ano, comparando com o
período homólogo do ano passado, houve “um aumento de mais de 10% das
ocorrências participadas à PSP e à GNR”, além de um “aumento da
capacidade de resposta da rede nacional de apoio às vítimas de violência
doméstica, que tem hoje uma subida nos atendimentos na ordem dos 23%”.Por
outro lado, mencionou ter também havido um “aumento muito
significativo” das medidas de teleassistência, de 45%, e também um
número de medidas de coação de afastamento fiscalizadas por vigilância
eletrónica. Neste caso concreto, a ministra da Justiça acrescentou que
houve um aumento de 47,25% entre 2018 e 2019, com 511 medidas de
afastamento registadas este ano.“Estes
números revelam, desde logo, uma consciência grande e maior na parte das
queixas apresentadas e uma maior capacidade de resposta por parte da
rede de acompanhamento, o que era um dos nossos objetivos”, defendeu a
ministra Vieira da Silva.Ainda em matéria
de estatísticas, a ministra da Justiça revelou que aumentaram os casos
de prisão preventiva, apontando que entre janeiro e setembro de 2019
houve 215 presos preventivos por violência doméstica, depois de no mesmo
período do ano passado terem sido 112.Já a cumprir pena efetiva, e para o mesmo período, havia 973 condenados, contra 820 que cumpriam pena em 2018.Questionada
sobre o número de pessoas a quem foi decretada pena suspensa, Francisca
Van Dunnen adiantou que houve uma redução entre 2018 e 2019, sendo que
este ano havia 1.792 agressores com suspensão provisória, contra 1.676
registados no ano passado.A ministra da
Presidência adiantou também que para assegurar uma resposta nas
primeiras 72 horas, está em curso a elaboração de um manual de atuação
funcional e a revisão do auto de notícia ou de denúncia padrão de
violência doméstica, trabalho que estará concluído em março de 2020.“Já
estão instalados cinco [gabinetes de apoio à vítima] em Departamentos
de Investigação e Ação Penal e o propósito agora é que possamos até
fevereiro do próximo ano fazer a avaliação destes cinco para poder então
decidir sobre a generalização deste modelo”, revelou Mariana Vieira da
Silva.Acrescentou que está também a ser
feito um guia de prevenção integrada de violência doméstica, com
orientações técnicas e destinado aos profissionais que intervêm junto de
crianças e jovens, que também estará pronto em março de 2020.“No
plano da saúde, foram já realizadas reuniões com todas as 221 equipas
de prevenção em violência em adultos e está a ser desenvolvido o plano
de ação na área da saúde”, disse ainda.