Iuri Leitão pensa nos próximos Jogos Olímpicos desde Paris2024

Hoje 12:25 — Lusa/AO Online

“Temos de ter noção de que isto passa tudo muito rápido e temos de ter os olhos postos, obviamente, em Los Angeles. No dia em que os Jogos de Paris terminaram, nós, ok, celebrámos, estávamos muito contentes, mas já tínhamos os olhos postos em novas regras, novo formato de qualificação”, revelou.Em entrevista à agência Lusa, o campeão olímpico de madison – ao lado de Rui Oliveira – e ‘vice’ de omnium em Paris2024 diz que a seleção nacional vai agora “prova a prova, mês a mês, ano a ano”.“Temos agora pensado fazer uma boa pré-época, pensar no Campeonato da Europa, que é a próxima prova da qualificação olímpica, mas sempre com esse pensamento em Los Angeles. Mas, antes disso, temos de nos qualificar, que é o mais importante”, salientou.São “quase dois anos de qualificação” até aos próximos Jogos Olímpicos, com o arranque a ser nos Mundiais de Xangai, onde se sagrou campeão mundial de omnium e ‘vice’ de madison, e a decorrer até 10 de abril de 2028.“Se virmos bem, é mais de um ano e meio de competição em que temos que nos apresentar bem em Taças das Nações, em Campeonatos da Europa, Campeonatos do Mundo. […] Levamos ali toda uma temporada de Taças das Nações no meio, mas é época de estrada, em que temos de conciliar”, lembrou.Assim, acaba por ser uma qualificação muito longa. “Mas, enfim, mantém-nos em bicos de pés e sempre a tentar não ficar para trás. E temos também mais oportunidade de nos compararmos com os nossos rivais”, completou.Nos Mundiais de Xangai, Portugal conquistou quatro medalhas, o maior número de sempre nesta competição – Maria Martins (scratch) e Miguel Salgueiro (corrida por pontos) foram bronze –, com o campeão olímpico a apontar a união de todos como o segredo do sucesso da seleção. “Temos ali um grupo de amigos, quase de família. Treinamos juntos, passámos bons dias juntos, maus dias juntos também. E chegarmos ao Mundial e estarmos ali a partilhar aquelas alegrias de todos, é muito bom estar lá com pessoas que nós realmente gostamos e não com estranhos ou com colegas”, enalteceu, considerando que isso torna a equipa portuguesa “especial” e diferente das outras. O vianense de 28 anos acredita que as prestações recentes de Portugal na pista comprovam que ele e os gémeos Rui e Ivo Oliveira, com quem alcançou a prata mundial no madison em Xangai, já têm sucessores. “O professor Gabriel [Mendes, o selecionador], hoje em dia, tem essa facilidade que não tinha, se calhar, há uns anos. E isso dá-nos uma segurança muito grande, porque já tivemos, no passado, [azares]. Não nos qualificámos para Tóquio muito por culpa de quedas e lesões da maior parte dos atletas. Se calhar, dos quatro [ciclistas habituais da seleção], acho que três tivemos algum osso partido durante os últimos seis meses de qualificação”, recordou.Depois desse “passo atrás muito grande”, agora a seleção de pista tem “sete ou oito atletas” que dão garantias de fazer os pontos necessários para assegurar uma vaga em LA.Nos próximos Jogos, Leitão defende que os ciclistas que forem eleitos para representar Portugal – caso a seleção garanta a qualificação – terão de seguir a mesma estratégia delineada por si e por Rui Oliveira, o outro campeão olímpico de madison: fazer “um reset de tudo o que está para trás”. “Ir para a prova sem expectativas, sabendo que estamos de consciência tranquila e com a nossa preparação bem feita. Ter noção de que os nossos adversários são extremamente competentes e que têm a mesma ambição que nós, e jogar o nosso jogo, jogar as nossas peças na hora certa, mas sem nenhum tipo de pressão ou expectativa de que ‘será que vamos conseguir estar ao nível da última prova ou não’”, anteviu.