Itália transfere primeiro grupo de imigrantes com ordem de expulsão para centros na Albânia
Migrações
11 de abr. de 2025, 15:26
— Lusa/AO Online
Um navio da Marinha italiana partiu do porto de Brindisi
(sul) rumo a Gadjer, na Albânia, levando a bordo 40 imigrantes de várias
nacionalidades que se encontravam no Centro de Detenção para o
Repatriamento (CPR, na sigla original) daquela localidade italiana já
com ordem de deportação, confirmou o Ministério do Interior italiano.Entre os imigrantes transportados constavam cidadãos da Argélia, da Tunísia e do Bangladesh.Antes
da partida do navio, várias associações organizaram junto ao porto de
Brindisi uma ação de protesto contra a decisão do Governo de Giorgia
Meloni de enviar para países terceiros imigrantes chegados a Itália.A
28 de março, o Governo de direita e extrema-direita, que tem como uma
das suas grandes bandeiras políticas o combate à imigração ilegal,
adotou um decreto-lei para rebatizar os dois centros de detenção
construídos na Albânia como CPR para requerentes de asilo a quem já
tenha sido recusada a permanência em Itália.Esta
foi a forma encontrada pelo executivo de Meloni para contornar as
várias decisões da Justiça italiana que inviabilizaram a utilização dos
dois centros inaugurados em outubro de 2024 na Albânia – na sequência de
um controverso acordo com o primeiro-ministro do país dos Balcãs, o
socialista Edi Rama - como instalações de detenção para imigrantes
intercetados no Mediterrâneo central.A
ideia original era deslocalizar para a Albânia centros de acolhimento
para deportação de imigrantes clandestinos resgatados no mar - somente
homens considerados "saudáveis" e provenientes de “países seguros”,
ficando excluídos mulheres e crianças -, mas, por mais de uma vez, os
navios da Marinha italiana tiveram de fazer regressar os imigrantes
transferidos para Gadjer por decisões de tribunais italianos.A
posição dos juízes italianos desencadeou um conflito aceso com o
Governo de Meloni e levou a que os centros na Albânia tenham ficado
vazios e sem uso.Enquanto se aguarda uma
decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, que deverá
pronunciar-se sobre o acordo entre Roma e Tirana em junho, as
autoridades italianas decidiram reconfigurar as instalações como CPR,
para desbloquear a situação e amortizar o custo dos centros, estimado em
800 milhões de euros.