Itália também tem o seu 25 de Abril, Dia da Libertação do nazifascismo
25 Abril
23 de abr. de 2024, 11:46
— Lusa/AO Online
Proclamado feriado
nacional em Itália desde 1946, a "Festa da Libertação de Itália do
nazifascismo”, também conhecida como "Festa da Libertação" ou
simplesmente "25 de abril", assinala de forma simbólica a libertação da
ocupação nazi e a derrota do regime fascista colaboracionista.Embora
a guerra em Itália não tenha terminado a 25 de abril de 1945 –
prosseguiu até ao início de maio -, esta foi a data escolhida para
assinalar a “libertação”, dado ter sido nesse dia que teve início a
retirada, das cidades de Milão e Turim, dos soldados da Alemanha nazi e
dos soldados fascistas da "República de Salò", um Estado ‘fantoche’
criado nos últimos anos da guerra, no norte do país, numa altura em que
os Aliados já ocupavam boa parte do território italiano.Por
decisão do ditador Benito Mussolini, a Itália envolveu-se na II Guerra
Mundial ao lado dos alemães, mas quatro anos após o início do conflito, a
08 de setembro de 1943, a Itália assinou um armistício com os Aliados,
dividindo o país em dois: a sul estabeleceram-se as forças inglesas e
norte-americanos, enquanto o norte foi ocupado pelas tropas alemãs. O rei Vítor Emanuel III refugiou-se na região de Apúlia (sul), enquanto Mussolini fugiu para a Alemanha.Durante
mais de um ano e meio, do inverno de 1943 até à primavera de 1945,
Itália foi cenário de um conflito que muitos classificam como uma guerra
civil, opondo as forças nazis apoiadas pelo (que restava do) regime de
Mussolini ao movimento de resistência italiano, apoiado pelos Aliados.Num
conflito sangrento durante o qual a resistência foi essencialmente
levada a cabo por um vasto movimento de combatentes conhecidos como
'partisans' - estima-se em cerca de 250 mil os combatentes, um quinto
dos quais foram mortos -, coube a estes organizar, a 25 de abril de
1943, a “libertação” de Milão e Turim, aproveitando a revolta popular
que se registava nas duas grandes cidades do norte de Itália contra as
forças ocupantes.Depois de já terem
‘conquistado’ Bolonha, a 21 de abril, e Génova, a 23, os 'partisan'” –
ao qual pertenciam todos os movimentos antifascistas e de resistência
italianos, incluindo comunistas, socialistas e democratas-cristãos –
atravessaram a 24 de abril o Pó, rio da Itália setentrional, último
reduto das forças nazi, e no dia seguinte os soldados alemães e da
República de Salò começaram a retirar-se de Milão e Turim, no que é
entendido como a sua capitulação no território italiano.Em
abril do ano seguinte, o governo provisório italiano - o primeiro
liderado por Alcide De Gasperi e o último do Reino de Itália -
proclamou, por decreto, que o dia 25 de abril passaria a ser feriado
nacional para comemorar o Dia da Libertação do Nazifascismo, termo
utilizado para descrever a associação entre o fascismo italiano e o
nazismo alemão, acordada entre Mussolini e Adolf Hitler.A
25 de abril próximo, enquanto Portugal celebra o 50.º aniversário da
revolução que pôs fim à ditadura do Estado Novo, Itália assinala o 79º
aniversário do ‘seu’ 25 de abril, num contexto em que o país tem o
governo mais de direita desde a II Guerra - uma coligação de direita e
extrema-direita, liderada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, líder
dos Irmãos de Itália, partido considerado herdeiro do Movimento Social
Italiano (MSI), neofascista, criado em 1946 por figuras proeminentes do
regime. Benito Mussolini foi executado a 28 de abril de 1945, dois dias
antes do suicídio de Hitler. No ano
passado, o 25 de abril foi o primeiro a ser celebrado em Itália desde a
chegada ao poder do governo de coligação dos Irmãos de Itália, Liga
(populista de extrema-direita) e Força Itália (centro-direita), o que
fazia antever controvérsia nas comemorações, até em virtude de
declarações polémicas de alguns responsáveis partidários de alas mais
radicais nos dias anteriores, a evitar a condenação do fascismo e a
criticar algumas ações dos ‘partisans’, muitas vezes conotados com o
partido comunista.No entanto, Meloni, que
na sua juventude elogiava Mussolini – considerou-o o melhor político
italiano dos últimos 50 anos quando aderiu à ala jovem do MSI – fez
questão de afastar polémicas e instruiu todos a participar nas
comemorações do Dia da Liberdade, que classificou como “um momento de
redescoberta da harmonia nacional”, afirmando também na ocasião que “a
direita em Itália é incompatível com qualquer nostalgia do fascismo”.